O cinema brasileiro, em especial o documental, nunca viveu tão intensamente a parceria com a música como tem acontecido nos últimos anos. Fruto de uma feliz coincidência ou da sintonia do tempo, vários personagens da nossa música têm despontado como tema de documentários e de algumas ficções.
E assim como os estilos musicais são múltiplos, os filmes também tem encontrado diferentes opções narrativas para embalar em imagem as partituras de bambas como Cartola, Valdick Soriano, Humberto Teixeira, Wilson Simonal, Caetano Veloso, Maria Betânia, Titãs, Paulinho da Viola, Tom Zé e Arnaldo Batista. Diferentes sons para diferentes filmes.
Cada um ao seu modo encontrou uma forma de alcançar o artista, alguns por um viés declaradamente afetivo e outros pela lente da invenção, pensando na sofisticação da linguagem para dialogar com a música.
Há também filmes que investigam a própria relação da música com outras artes, como o belíssimo Palavra Encantada, de Helena Solberg, que teceu um bordado de reflexões sobre a intimidade entre as letras de música e a poesia. Um filme que tinha tudo para ser um exercício cerebral, mas que pega pelo coração, pela leveza e inteligência.
E o público tem acompanhado de perto este casamento feliz. Sobretudo entre os documentários, os temas musicais têm feito bonito nas bilheterias, fazendo esta vertente virar estatística de mercado. O segredo do sucesso? Não há.
O que existe é a força da uma música que por si só já é um espetáculo e o documentário, um gênero que cada vez mais mostra que não tem medo de arriscar, e mesmo que os pragmáticos duvidem, é disso que o público gosta.
Por Roberta Canuto






