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Programa 64/774 – 27-08-11 (Reprise)
Ed Motta fala sobre sua relação musical com o cinema e a paixão pelas trilhas sonoras.
David Tygel apresenta sua visão sobre o processo criativo de um filme e como trabalha a trilha sonora dentro desta criação coletiva.
Destaques do programa Revista do Cinema Brasileiro nº 64/774 (11/02/2012 | REPRISE)
Programa - 03/713 - 08/05/10
REVISTA - Vídeoarte - uma linguagem em permanente construção

O vídeo surgiu no Brasil ao mesmo tempo em que começaram as primeiras experiências videográficas ao redor do mundo. Embora só tenha ganhado força aqui quase duas décadas depois, a possibilidade de se criar usando a imagem eletrônica veio no encalço da explosão popular da televisão, um processo que se iniciou a partir de 1960.

No início, o vídeo era considerado apenas um subterfúgio do cinema, um caminho menos nobre, mas economicamente mais viável e absolutamente aberto às experimentações e descobertas. Os primeiros trabalhos de vídeo-arte brasileiros são assinados pelo artista Antonio Dias, que na época vivia na Itália.

Em 1974, o Brasil registrou a sua primeira criação consistente de vídeo-arte. A série era constiuída de videoteipes realizados por artistas convidados para participar de um encontro de vídeo na Filadélfia (EUA). São desta mostra trabalhos de artistas como Sonia Andrade e Fernando Machado. Na época, apenas artistas cariocas conseguiram participar porque só no Rio de Janeiro havia o equipamento necessário, trazido da América pelo cineasta Jom Tob Azulay.

A vídeoarte surgiu para libertar o vídeo do caráter de registro que a televisão e o cinema de alguma forma lhe impuseram. Ela veio para subverter as regras do jogo, estabelecer novos capítulos na gramática do vídeo e definitivamente desconstruir a relação que a imagem eletrônica e o audiovisual tinham com outras formas de expressão, como as artes-plásticas e a fotografia. No caso das artes-plásticas a vídeoarte veio para somar mais uma textura e um território no repertorio criativo do artista. Na fotografia, a vídeo-arte teve papel distinto, o de agente libertário, ampliando a abrangência do vídeo além da função de registro da realidade.

Na década de 1970, Helio Oiticica começou a fazer as primeiras experiências em que somava artes-plásticas, vídeo e poesia para a série Quase Cinema, com alguns destes trabalhos assinados em parceria com o cineasta Neville de Almeida.

Outros artistas vindos de outras linguagens também, nesta época, se aventuraram pelo terreno do vídeo. Alguns deles construindo uma obra sólida, como o também carioca Arthur Omar e o pernambucano Tunga. Ambos se identificam com uma trajetória que transcende a vídeoarte e o vídeo e alcança o cinema.

A artista Anna Bella Geiger também transita no território híbrido entre o vídeo e a vídeoarte. Sua formação passa pelo Brasil e por Nova Iorque, onde durante um longo período se dedicou ao abstracionismo. Suas obras já foram expostas em grandes séries em museus como o MOMA - Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.

Com as novas tecnologias, as novas gerações encontraram ferramentas que apontam para possibilidades estéticas e conceituais que beiram o infinito, proporcionando um novo capítulo na história da vídeoarte.

Por Roberta Canuto


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