Com trinta e oito anos de história, o Festival de Cinema de Gramado está se reinventando. Nascido do sonho de um grupo de críticos de cinema gaúchos, o Festival era a principio uma grande reunião de cineastas, críticos e artistas, que tinham como cenário uma bucólica cidade da serra gaúcha. Por este sonho passaram alguns dos mais importantes filmes e cineastas do cinema brasileiro da década de 1970 e início de 1980, vieram também convidados estrangeiros ilustres, como o mestre Michelangelo Antonioni.
Mas veio a década de 1980 e por final os anos noventa, o Festival sentiu o abalo sísmico que as pornochanchadas e o fim da Embrafilme causaram ao cinema brasileiro, Gramado então abriu as portas para o cinema latino. Sábia decisão, o evento fez passar pelo Palácio dos Festivais obras célebres realizadas no Cone Sul.
Com a retomada do cinema brasileiro, Gramado assumiu uma vocação que desde sempre tangenciava o Festival: o turismo.
O Festival deixou então de ser um ponto de encontro de bom cinema para ser um espetáculo que provocou muita histeria às margens do seu tapete vermelho, protagonizado por atores e atrizes que nem sempre tinham seus nomes nos créditos dos filmes.
Nos últimos anos o Festival se reinventou novamente, sob a curadoria do diretor Sergio Sanz e do crítico e pesquisador Jose Carlos Avellar, Gramado vem se dedicando ao cinema autoral. Desta proposta surgiram homenagens à Julio Bressane e nesta edição à Ana Carolina. Os filmes selecionados são também o espelho deste conceito, seja nos documentários ou nas ficções, bem sucedidos ou não em suas propostas, os longas metragens que passaram nos últimos anos pela mostra competitiva do Festival são a tradução de um anseio autoral.
Em um momento em que o Brasil se mostra palco para dezenas de Festivais espalhados por todo o país, optar por um diferencial e um caminho particular é uma decisão sensata, vamos torcer para que ela leve bons filmes para a tela.
Por Roberta Canuto







