Muita coisa mudou e muito tempo se passou entre o Jeferson De dos curtas Carolina (2003) e Distraída para a morte (2001) e do longa Bróder!, deste ano. O discurso incendiário e quase naif ficou mais elaborado, mas não menos arrebatador, e o orçamento de curtas independentes se transformou em um projeto bancado por produtores de peso como Cacá Diegues e Globo Filmes. Mas o mais interessante desta história não é o que deixou de ser, mas o que permaneceu, mesmo com as mudanças que o tempo trouxe.
Jeferson De surgiu no cenário do curta-metragem como um diretor dotado de talento inquestionável, e de um discurso incisivo pela valorização da cultura negra e pelo barateamento das produções, com o movimento brasileiríssimo com cara de sábado: Dogma Feijoada, fazendo do cinema uma causa. Mas as palavras vão, o que fica de fato são os filmes...
Com Bróder! ele avançou muitas e muitas casas em sua carreira. O roteiro do filme teve consultoria de Braulio Mantovani e de Trey Ellis, roteirista de Spike Lee, o elenco está afinadíssimo depois de passar por uma preparação intensa, Caio Blat chegou a morar três meses no Capão Redondo, comunidade carente da zona sul paulistana onde a história se passa.
A trilha sonora é pulsante e absolutamente arrebatadora, ponto forte do cinema de Jeferson De, que estudou música e tem uma banda. Às vezes o filme toma ares de vídeo clipe, mas sem quebrar a narrativa, o ritmo incorpora a interferência musical e flui.
Bróder! Não é um filme sobre abismos sociais, intolerância racial ou causa que valha panfletos. O filme é antes de tudo um tributo à amizade, a uma amalgama que resiste ao tempo, à miséria e à violência. Por este prisma, as mudanças que o amadurecimento artístico trouxe à Jeferson De são muito bem vindas, e nem sempre, permanecer significa ser fiel à uma idéia ou a uma escolha.
Por Roberta Canuto







