Muitas gerações de cineastas e amantes do cinema brasileiro cresceram em companhia de personagens como Didi Mocó, Dedé Mussum, Zacarias e Mazzaropi. Havia também é claro as animações da Disney, que estreavam a cada verão deles e inverno nosso, mas as aventuras brejeiras e mal humoradas do caipira Mazzaropi e as incríveis epopéias do quarteto trapalhão eram programas obrigatórios para a maioria das crianças e famílias inteiras.
Sucessos como Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão eram um elixir de encantamento para a criançada, com um estilo naif e humor circense, a historia era irresistível para os pequenos. A forma como o filme se apropriava da mítica lenda do tesouro do Rei Salomão guardava a brasilidade da coisa, zombando e fazendo piada das nossas limitações técnicas se repetia um filão que a chanchada soube explorar com genialidade.
Quando não estávamos no cinema vendo aqueles filmes, estávamos lendo as revistinhas da Turma da Mônica. A formação de um público que lê e vê as suas historias é fundamental para que ele cresça com o desejo de continuar se reconhecendo nos filmes e livros.
Novas gerações vieram, e junto delas novos ídolos da tela grande, Xuxa ocupou uma grande fatia do mercado, somando algumas das melhores bilheterias de várias temporadas. Assim como Renato Aragão e Mauricio de Souza, que levou os quadrinhos para as salas de cinema. Os roteiros e a técnica desses filmes acompanharam o tempo, os personagens adolesceram, ganharam três dimensões e mantiveram e reconquistaram um público fiel.
Mesmo diante de sucesso tão considerável entre filmes brasileiros dedicados ao publico infantil, com ótimas obras como A dança dos Bonecos e O menino maluquinho, de Helvecio Ratton, ou Castelo Ra tim bum, de Cao Hamburguer e a franquia Tainá, o mercado desta fatia ainda é do filme estrangeiro. A invasão inclemente de blockbusters de animação, ou as séries baseadas em heróis é implacável na bilheteria.
Os festivais e mostras dedicados às crianças conseguem dar um tempero alternativo ao sotaque estrangeiro, reunindo filmes interessantíssimos de vários países, que dificilmente chegariam aos cinemas brasileiros se não estivessem inseridos na programação destes eventos.
O Festival Internacional de Cinema Infantil - FICI, que começou ontem, dia 27, aqui no Rio de Janeiro, e se estenderá por outras cidades brasileiras, é um bom exemplo desta mistura. A programação consegue somar o alternativo ao potencialmente comercial. Regida pela qualidade dos filmes, a curadoria do evento selecionou produções brasileiras e estrangeiras, desde sucessos consagrados da Pixar, a obras que muito provavelmente só poderão ser vistas durante o Festival, oportunidade rara.
Por Roberta Canuto







