O cinema brasileiro contemporâneo tem um aspecto inédito na história do nosso audiovisual, a regionalização da produção. Já houve na década de 1920, com os ciclos regionais em Minas, Pernambuco e no Rio Grande do Sul o esboço deste movimento, mas atualmente o que podemos perceber é que esta regionalização veio para ficar, não se trata de um ciclo como acontecera no início do século XX.
Por trás deste fluxo geograficamente democrático é inegável a importância dos Festivais de cinema como catalisadores da produção e canais vitais de exibição da produção regional.
O Cine Ceará, realizado há vinte e oito anos em Fortaleza, é um dos pioneiros nessa jornada. O Festival, que é dedicado ao cinema brasileiro e latino, foi fundamental para o surgimento de toda uma geração de diretores no estado, além é claro, de colocar o Ceará no circuito oficial de eventos audiovisuais brasileiros.
A Revista do Cinema Brasileiro vai ao Festival há alguns anos, o que fez com que pudéssemos acompanhar de perto a renovação de cineastas e ampliação do evento.
Este ano o Cine Ceará homenageou dois realizadores fundamentais para o cinema latino e brasileiro, o peruano Francisco Lombardi, conhecido aqui principalmente pelo longa “Pantaleão e as visitadoras”, de 1999, e o brasileiríssimo, nascido em Moçambique, Ruy Guerra, ambos donos de um cinema pungente, cheio de estilo e domínio da narrativa, perfeitos tradutores do caldo cultural da América Latina, com suas contradições e idiossincrasias.
O Cine Ceará, é sem dúvida bastante responsável pela continuidade de produção audiovisual no Estado, isso pelos aspectos políticos ou artísticos que um Festival carrega consigo. Hoje dezenas de novos diretores do estado se arriscam a empreender os seus projetos, e o Ceará vai ano após ano, construindo uma história particular no cinema brasileiro.
Por Roberta Canuto







