O Festival de Cinema de Paulínia nasceu há três anos com o objetivo de levar para o público da região os filmes feitos no Pólo de Cinema. Com uma premiação polpuda, e uma estrutura impressionante que inclui um Cine Teatro com mais de três mil lugares construído para o evento, o Festival ganhou o Brasil.
Neste ano a seleção de filmes flertou com o entretenimento, mas também se abriu para as temáticas sociais, em filmes como 5 X Favela agora por nós mesmos, que levou a maioria dos prêmios da festa, e Broder, de Jeferson De, que também saiu premiado do Festival.
Entre os documentários, houve uma grande diversidade de temas e formas, o público pode assistir a Lixo Extraordinário, filme de João Jardim, Karen Harley e Lucy Walker sobre o trabalho de Vic Muniz com os catadores de lixo do Jardim Gramacho. (o artista esteve presente na sessão, para a alegria de quem admira o seu trabalho impressionante).
Entre os docs, o longa Uma noite em 67 se destacou pela possibilidade de ter na tela uma constelação de artistas que fizeram daquele festival de música um evento emblemático e também o ponto de partida da Tropicália.
Já entre os longas de ficção, a boa surpresa ficou a cargo de Flavio Tambellini, que fez de Malu de Bicicleta um delicioso passeio pelo cinema poético. Despretensioso e leve como uma brisa de fim de tarde, com atuações certeiras e roteiro correto e espirituoso, o filme é um convite bem humorado à reflexão sobre as relações afetivas. Acertou em cheio onde outros filmes tentaram, mas passaram ao largo de acertar.
Por Roberta Canuto






