As cinebiografias cumprem nas telas o papel de fonte de conhecimento, esses filmes levam ao público fatos e personagens que povoam os livros de história ou as noticias da mídia contemporânea, com a fidelidade do registro documental ou a livre criação que a ficção permite.
O diretor Sérgio Rezende é especialista em cinebiografias, ele já levou para o cinema a vida de políticos, ativistas revolucionários, líderes religiosos e mártires da luta pela liberdade. Em O homem da capa preta ele recriou na tela a vida do político alagoano Tenório Cavalcanti, com um desempenho marcante de José Wilker. O mesmo ator foi responsável pela versão criada por Rezende do profeta Antônio Conselheiro, em Canudos.
São de Sérgio Rezende também as cinebiografias de Carlos Lamarca e do Barão de Mauá. Seu trabalho mais recente do gênero foi Zuzu Angel, em que ele conta a vida da grande estilista que enfrentou a ditadura e acabou se transformando em uma mártir da liberdade.
Personagens míticos da história oficial brasileira também têm a sua versão na tela grande. A vida de Tiradentes foi contada duas vezes pelo cinema, primeiro por Joaquim Pedro de Andrade em Os inconfidentes e depois por Oswaldo Caldeira em Tiradentes.
A companheira de Luis Carlos Prestes e heroína da esquerda Olga Benário teve sua vida contada no cinema em um filme dirigido por Jayme Monjardim. O filme é um drama que retrata a trágica e curta história de Olga.
O companheiro de Olga, Luis Carlos Prestes foi tema de um documentário de Silvio Tendler, que além de Prestes já documentou as vidas de JK, Jango e Getúlio, e agora se prepara para levar a história de Tancredo Neves para as telas.
O diretor Nelson Pereira dos Santos também foi bem sucedido em suas cinebiografias. O belíssimo Memórias do cárcere retrata a vida do escritor Graciliano Ramos, no tempo em que ficou preso durante a ditadura Vargas, e o documentário Raízes do Brasil sintetiza o pensamento e a trajetória genial do grande historiador Sérgio Buarque de Hollanda.
Fora da lista de figuras ilustres, brasileiros anônimos que ganharam notoriedade por fatos trágicos também foram tema de filme. O mineiro Jean Charles, morto pela polícia britânica em Londres, foi personagem central do longa de Henrique Goldman.
Mas nem só de passado vive o nosso acervo de cinebiografias. O presidente Lula foi homenageado, ainda no poder, pelo filme de Fábio Barreto.
Ficções ou documentários, estes filmes cumprem um papel importante na formação de uma memória audiovisual no país, diminuindo a grande fragilidade que temos em registrar a nossa própria historia em nosso imaginário. O cinema pode ser um instrumento importante para que possamos nos conhecer mais um pouco e refletir sobre que história queremos ver contada nas telas no futuro.
Por Roberta Canuto
ERRATA
No programa que foi ao ar no sábado (07/08) nós erramos: na verdade, José Wilker interpretou o político Tenório Cavalcanti no filme O Homem da Capa Preta, de Sérgio Rezende.







