Na década de 1950 e 1960 eles foram responsáveis pela formação de uma geração de cineastas no Brasil e no mundo. Hoje, na era das novas mídias, eles estão de volta com a força toda e novas possibilidades de ação. O cineclubismo nunca esteve tão vivo, espalhando pelo Brasil o prazer de fazer e discutir cinema.
Se antes o movimento cineclubista se resumia a projeções comentadas, hoje os debates podem ser feitos virtualmente e multiplicados pelas redes sociais.
Os cineclubes assumem também no século vinte e um, o papel de agitadores culturais e agentes sociais, levando para as comunidades da periferia ricos encontros em torno de clássicos e novos filmes do cinema brasileiro.
Os editais e programas culturais criados pelo Governo ajudaram a construir este quadro, os Pontos de Cultura, projetos nascidos destas ações, são hoje aglutinadores e catalisadores do movimento cineclubista. Se antes o cineclube era um circulo intelectual voltado para os iniciados e por uma elite universitária, hoje eles têm o papel fundamental de agentes de inserção cultural nas comunidades mais carentes.
Além deste perfil altruísta, a paixão por ver e discutir filmes se faz também em outros círculos. O Cachaça Cinema Clube, cineclube em atividade no Rio de Janeiro desde 2002, é um belo exemplo de como o cineclubismo pode ser também o centro de um encontro festivo e intelectual ao mesmo tempo. Com longas noites dedicadas à Baco e aos filmes, o Cachaça tem movimentado as madrugadas do Rio movidos pelo binômio festa e cinema.
Cidade com o maior número de cineclubes do Brasil, o Rio tem assistido a este movimento ser responsável pelo sucesso de filmes brasileiros e de perfil menos comercial, em um circuito nada convencional, mantendo viva a reflexão e o desejo de conhecer mais sobre o cinema.
Por Roberta Canuto
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