Nascido em Viena em 1966, Vicente Amorim teve uma infância nômade, típica de uma família que tem de seguir a rotina da carreira diplomática. Filho do chanceler brasileiro Celso Amorim, Vicente viveu a maior parte da sua juventude migrando por diferentes culturas, só aportando de vez no Brasil em 1984, quando cursou economia e cinema.
Desde então Vicente exerceu várias funções nos set’s, principalmente em co-produções estrangeiras. Seu primeiro longa foi 2000 Nordestes, filme nascido da preparação para as filmagens de O caminho das nuvens. O documentário foi o primeiro filme brasileiro a receber um prêmio de reconhecimento da UNESCO pela importância do seu conteúdo.
Em seu terceiro longa metragem, Vicente ampliou consideravelmente o seu campo de atuação no cenário internacional. Um homem bom, produção anglo- germânica, Vicente Amorim falou sobre a segunda guerra sobre a ótica dos nazistas. Encabeçando o elenco está Viggo Mortensen em um de seus melhores desempenhos no cinema. Com direção segura, roteiro apurado e competente equipe técnica, o longa mostra o nazismo sob uma ótica particular, a da intelectualidade alemã pré-guerra.
Agora ele retoma o tema do maior conflito mundial sob o prisma de um romance entre dois integrantes da comunidade nipônica brasileira, a maior fora do Japão.
A colônia japonesa brasileira viveu uma onda de violência no final da segunda guerra. A maior parte dos imigrantes não acreditou na vitória dos aliados sobre o eixo, iniciando uma série de ataques contra os japoneses que aceitaram a derrota.
Esta historia foi contada por Fernando Morais no livro Corações sujos. Obra de grande impacto e cuidadosa pesquisa jornalística, que retrata uma história de horror pouco conhecida entre nós brasileiros e entre os japoneses, que protagonizaram o massacre. Durante as pesquisas Vicente entrevistou as famílias das vítimas e dos algozes. Cada um, ao seu modo, quer que esta história seja clarificada.
Com uma equipe internacional e um elenco de grande respaldo no Japão, Vicente cumpriu mais uma vez o desafio de fazer um cinema que rompe fronteiras. Com naturalidade, ele diz que não saberia fazer de outra forma, já que o seu olhar foi moldado observando um mundo sem fronteiras.
Por Roberta Canuto






