Os remakes ou refilmagens são uma febre no cinema mundial. Seja pela boa bilheteria ou pela qualidade das histórias originais, o fato é que o cinema contemporâneo está repleto de filmes que buscam no passado a inspiração para os seus roteiros. Se por um lado as novas produções trazem uma nova roupagem adequada às novidades tecnológicas, esta aposta em histórias já contadas é um sinal de pragmatismo.
No cinema brasileiro a fase indigenista da nossa literatura é a campeã de refilmagens. Obras como Iracema e O guarani de José de Alencar foram adaptadas várias vezes para a tela. A versão mais recente do amor entre Pery e Cecy foi dirigida por Norma Benguell na década de 90.
Machado de Assis também teve sua obra revisitada pelo cinema brasileiro. O romance Memórias Póstumas de Bras Cubas recebeu duas versões na tela, uma experimental dirigida por Julio Bressane, e outra clássica filmada por André Klotzel.
O escritor Fernando Sabino também já teve mais uma versão dos seus contos na tela grande. A comédia O homem nu foi filmada por Roberto Santos e mais tarde por Hugo Carvana.
O texto teatral Boca de ouro, do grande Nelson Rodrigues teve uma belíssima versão para o cinema dirigida por Nelson Pereira dos Santos, em pleno Cinema Novo. Mais tarde, Walter Avancini refilmou a peça com Tarcisio Meira como protagonista.
A versão do mito grego de Orfeu, criada para o teatro por Vinicius de Moraes, ganhou também mais de uma adaptação na tela grande. A primeira premiada com o Oscar de filme estrangeiro, dirigida pelo francês Marcel Camus, e a segunda, realizada mais tarde por Carlos Diegues.
Entre os roteiros originais, o cangaço é um tema recorrente. O filme O cangaceiro foi escrito e dirigido por Lima Barreto em 1953 e ganhou o premio de melhor longa de aventura no Festival de Cannes. Na década de noventa, Aníbal Massaini reeditou o romance bandido sertanejo.
O clássico do cinema de invenção Matou a família e foi ao cinema, de Julio Bressane, também ganhou uma refilmagem, assinada por Neville de Almeida em 1991.
Agora o diretor Vinícius Coimbra está finalizando a sua versão do conto A hora e a vez de Augusto Matraga, obra prima de Guimarães Rosa publicada no livro Sagarana. Em 1965 Roberto Santos realizou um filme irretocável baseado no conto. E no ano passado, Vinícius deslocou a sua equipe para Diamantina, mesma região mineira onde Roberto filmou na década de 1960.
Roberto Santos fez uma obra prima em preto e branco impregnada pelo espírito inventivo do cinema novo sob uma matriz neo-realista, enquanto Vinícius optou por enfatizar a atmosfera de western sertanejo que Rosa imprimiu nas entrelinhas da sua mágica criação literária.
Por Roberta Canuto







