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Programa 64/774 – 27-08-11 (Reprise)
Ed Motta fala sobre sua relação musical com o cinema e a paixão pelas trilhas sonoras.
David Tygel apresenta sua visão sobre o processo criativo de um filme e como trabalha a trilha sonora dentro desta criação coletiva.
Destaques do programa Revista do Cinema Brasileiro nº 64/774 (11/02/2012 | REPRISE)
Programa - 12/722 - 10-07-10
REVISTA - Das páginas de polícia para o cinema

Crimes misteriosos, assaltos com planos infalíveis e bandidos que se tornaram anti-heróis no imaginário do público não tem rendido apenas noticias nas paginas dos jornais. Esse universo conquistou também a atenção dos roteiristas e produtores, inspirando filmes que fizeram boa bilheteria, conquistaram prêmios em festivais e entraram para a história do cinema brasileiro.

Inspirado em um dos assaltos mais espetaculares da crônica policial, o diretor Roberto Farias criou uma versão brasileira do roubo ao Trem Postal inglês. No filme o assalto é comandado pelo bandido Tião Medonho.

Ainda na década de 1960, o diretor Luis Sérgio Person levou para o cinema O crime dos irmãos Naves. O longa arrebatou vários prêmios, foi exibido em festivais internacionais e fez com que o caso policial ficasse na memória dos brasileiros.

Em 1967, Rogério Sganzerla criou um retrato genial do assaltante João Acácio Pereira da costa em O bandido da luz vermelha. O filme se baseou livremente nos crimes do marginal que assustava a classe alta paulistana, se tornando uma obra prima do cinema de invenção.

No inicio da década de 1980, Hector Babenco construiu um retrato cruel do submundo das ruas de São Paulo em Pixote - a lei do mais fraco. Por uma ironia cruel do destino, o garoto Fernando Ramos da Silva, que fez o papel principal, virou personagem das paginas policias morto pela policia em 1987. Mais tarde o diretor José Joffily reconstruiu essa triste historia em Quem matou pixote.

Em 2003, com o filme Carandiru, Hector Babenco criou a sua versão da maior tragédia carcerária brasileira. Baseado no romance do medico e escritor Dráuzio Varella, que conviveu com os detentos do presídio paulista, Babenco levou para o cinema e para teve a historia do massacre que deixou mais de cem mortos.

Recentemente Sérgio Rezende deu a sua versão fictícia baseada na ação criminosa que parou São Paulo no domingo de dia das mães de 2006 com o filme Salve Geral. Comandados pelo bandido Marcola, que agiu de dentro de um presídio. A cidade se viu acuada diante de um ataque à polícia paulistana, em contrapartida as corporações policiais mataram cerca de cem pessoas.

O QUE VEM POR AÍ

Agora outro episodio real das prisões brasileiras vai virar filme. O diretor Caco Souza conta no longa-metragem 400 contra 1 como foi a formação do Comando Vermelho, a maior organização criminosa do país.

A ficção foi baseada no livro de William da Silva Lima, um dos fundadores do comando vermelho, que será vivido na tela pelo ator Daniel Oliveira.

O diretor Toniko Mello finalizou recentemente uma produção da O2 que vai levar para o cinema a inacreditável saga de Marcelo da Rocha Nascimento, jovem de pouco mais de trinta anos que enganou jornalistas e celebridades com os vários personagens que inventou para si. A história parece uma versão brasileira do ótimo filme Prenda-me se for capaz, de Spilberg, mas Toniko garante que o longa Vips irá além, revelando como a frágil cultura das celebridades e a esperteza amoral de um rapaz comum podem gerar histórias absurdas, como as que Marcelo protagonizou.

Seja pelo viés realista da reprodução dos fatos ou pela ficção livre do cinema de invenção, o cinema brasileiro reafirma o que o cinema norte-americano já sabe de cor: a população tem uma atração irresistível pelos fatos policiais. Como se os filmes pudessem desvendar o que não foi revelado, encontrando as respostas que a realidade não alcançou.

Por Roberta Canuto


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