Eryk Rocha fez em Pachamama um filme definitivo sobre a América Latina. Não porque ele seja o mais esclarecedor, ou o mais impressionante, mas sim porque ele é um dos mais originais e reveladores.
O filme traça um percurso pela América Andina, um território desconhecido pela maioria de nós latino-americanos.
Com sofisticada invenção na linguagem e aguçada perspicácia conceitual, Pachamama revela o que é ser brasileiro diante da América do Sul.
A viagem proporciona aos nossos sentidos uma imersão na tela, e em pouco tempo já nos sentimos com um dos membros da equipe. Ouvindo depoimentos que às vezes soam absurdos diante da pouca relação que temos com estes povos tão próximos e distantes de nós. É estarrecedor ouvir um político de La Paz exaltar a prosperidade brasileira e atribuí-la à nossa generosa colonização.
As contradições e absoluta diversidade deste continente em permanente ebulição revelam como já fomos soberanos e hoje somos eternamente esperançosos de dias melhores. É instigante também perceber como a política ainda ferve nas veias abertas da América, e entender que as regras desumanas de ambientes de trabalho inóspitos ainda são determinantes. Das minas de sal, às praças de Bogotá, somos irmãos de existência distante, que historicamente nem uma estrada consegue aproximar.
Por Roberta Canuto






