Registrar a tristeza de um pênalti perdido e o espetáculo da torcida na hora do gol é um desafio para o cinema brasileiro ao longo de décadas. Este esporte, que é quase uma religião no Brasil, já rendeu documentários e ficções em curta e longa metragem.
A paixão pela bola já levou muitos craques do nosso cinema para a pequena área. Na época do Cinema Novo eles chegaram a formar um time: o Flower Power, que tinha como craque maior o diretor e produtor Ruy Solberg, em disputadas peladas nos campos de várzea.
Alguns dos maiores mitos do futebol brasileiro tiveram as suas vidas contadas nas telas. Pelé, Garrincha, Zico e Tostão, para a alegria da torcida, tiveram o seu toque de gênio eternizado pelo cinema.
As histórias de vestiário, dos campos de várzea e a paixão inabalável dos torcedores também fazem parte do repertório futebolístico do cinema. Filmes como Boleiros 1 e 2, de Ugo Giorgetti, Bossa Nova e O casamento de Romeu e Julieta, de Bruno Barreto são retratos bem humorados deste esporte que faz bater mais forte o coração de milhões de brasileiros.
Mas nem só de alegrias vive a festa do cinema em torno do futebol. A relação complicada dos craques com os clubes, a cartolagem, o envolvimento de questões políticas no esporte na época da ditadura militar e, mais recentemente, a presença deste esporte em países marcados pela miséria como o Haiti foram temas que levaram seriedade a esta crônica quase sempre bem humorada em torno da bola. Filmes como Passe Livre, de Oswaldo Caldeira e Subterrâneos do Futebol, do Maurice Capovilla tratam das questões políticas que interferem no mundo da bola. O filme de Caldeira narra a luta do jogador Afonsinho, na década de 1970, para integrar a e equipe de Zagallo. O craque que jogou no Fluminense tinha cabelos grandes e muitas idéias de esquerda na cabeça, na visão do treinador ele estava mais próximo do Che Guevara que do ideal de jogador sem muitas opiniões e questionamentos, como a maioria do grupo. Pra Frente Brasil, de Roberto Farias é um clássico da relação do futebol com a ditadura brasileira na década de 1970. O filme traduz o quanto a ufania em torno do título foi importante para um país em pleno AI 5. O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburguer também passou pelo tema, mas pelo olhar melancólico de uma criança que perde os pais durante a competição.
Mais recentemente o documentário O dia em que o Brasil esteve aqui, de Marcelo Dornelas, também estabeleceu a relação entre a política e o futebol, mas sobre outro prisma. O filme fala da euforia que a seleção brasileira levou ao território haitiano devastado.
Que venham mais filmes e bom futebol!
Por Roberta Canuto






