Muito tem se questionado, apostas são feitas, previsões são lançadas, e especialistas tem especulado sobre o provável ou não sucesso do filme de José Henrique Fonseca sobre Heleno de Freitas. Alguns apostam que o filme não terá público, já que pouca gente sabe quem foi Heleno, outros acreditam que o talento da equipe e a qualidade do roteiro possam suplantar o anonimato do personagem central. O fato é que Heleno, a estrela do Botafogo que antecedeu ao mito Garrincha e teve um fim trágico, teve uma vida cinematográfica...
Lindo, rico, inteligente e talentoso, Heleno foi um ícone de outra geração, e principalmente, de outro futebol. No tempo dele não havia cifras milionárias, o futebol era uma aventura e uma paixão, não um negócio. Os jogadores não eram máquinas potentes de multiplicar patrocínios, eram romanticamente mais humanos.
Heleno namorou mulheres lindas, torrou dinheiro na boemia e terminou enlouquecido em um sanatório corroído pela Sífilis. O mundo era assim, havia a sífilis e a tuberculose para brecar os boêmios desenfreados em uma realidade menos acética, mas mais interessante. Não havia assessores de imagem, tudo era mais espontâneo e o futebol então, esse sim, era muito mais inventivo.
Rodrigo Santoro vai viver Gilda no cinema, apelido que Heleno herdou por seu temperamento tempestuoso e sedutor, inspirado no furacão Rita Hayworth no filme de Charles Vidor. Cabe a ele encontrar as nuances desse jogador que foi fascinante e devastador ao mesmo tempo, e ao filme estabelecer esta atmosfera, transportando-nos para os campos repletos de geraldinos, rádios de pilha, torcedores apaixonados e mágicos lances que deram ao futebol, no julgamento dos apaixonados, o caráter de obra de arte.
Por Roberta Canuto





