Não existiria o cinema se não fosse o teatro, disso ninguém duvida. Mesmo nascendo em épocas diferentes, separadas por mais de dois mil anos, o tempo fez com que as duas linguagens andassem lado a lado, trocando influências e enriquecendo a cena cultural.
No cinema brasileiro, textos teatrais tem sido fonte de inspiração para cineastas de várias gerações. Aproximando duas linguagens que são naturalmente opostas em sua dramaturgia. Embora o cinema tenha bebido fervorosamente no teatro na época de sua criação, hoje ele tem tentado manter uma distancia segura, evitando o risco de não ser mais que uma leitura de uma linguagem que tem respeitosamente uma aura de arte maior. Se o teatro é feito de prima-donas, o cinema tem sido sempre uma indústria genuinamente popular.
Mas esta diferença entre uma paternidade aristocrática e outra mundana e plebéia não tem feito com que cinema e teatro não compartilhem a mesma cena. Assim, o que vemos é um cinema continuadamente contaminado pelo teatro.
A obra de dramaturgos como Nelson Rodrigues e Plínio Marcos ganhou no cinema quase o mesmo impacto e repercussão que no teatro, arrancando aplausos na sala escura.
Nelson Rodrigues é o campeão de adaptações para o cinema, é dele também algumas das maiores bilheterias do cinema brasileiro nas décadas de 70 e 80. Filmes como Bonitinha mas ordinária, A dama da lotação e Navalha da carne fizeram alguns dos maiores públicos do cinema brasileiro na época do seu lançamento.
Ele é também a fonte pra obras primas do Cinema Novo, A falecida de Leon Hirzman, é um clássico que eternizou na memória a seqüência em que Fernanda Montenegro tem uma epifania no centro de um movimento circular da câmera. Ou o Boca de Ouro de Nelson Pereira dos Santos, com Jeci Valadão em um dos seus mais memoráveis desempenhos na tela grande.
Nelson Rodrigues continuou influenciando o nosso cinema nos últimos anos, e foi seu filho, Jofre Rodrigues, quem levou para a tela grande a refilmagem do texto Vestido de noiva.
O mundo marginal de Plínio Marcos também foi forte inspiração para o cinema brasileiro moderno. Textos como Navalha na carne, Querô e Dois perdidos numa noite suja foram adaptados mais de uma vez. Recentemente o diretor paulista Carlos Cortez foi premiado por sua versão de Querô.
As comédias também tiveram o seu lugar nas telas, o sucesso absoluto Trair e coçar é só começar, de Marcos Caruso, que teve uma temporada impressionante de quatro décadas em cartaz, chegou ao cinema sob direção de Moacyr Góes.
Também vinda de uma longa temporada de sucesso no teatro, O mistério de Irma Vap também foi parar no cinema. No filme, Carla Camurati fez um impressionante trabalho de direção, fazendo Marco Nanini e Ney Latorraca se desdobrarem em quatro personagens. A peça fala de uma montagem de MacBeth, de Shakespeare, com muito, muito humor.
A peça Divã, baseada no romance homônimo de Marta Medeiros, cumpriu um ciclo completo virando filme com direção de José Alvarenga. Fazendo uma das melhores bilheterias do cinema brasileiro em 2009.
Todo gato vira lata tem uma vida mais sadia que a nossa
Agora o dramaturgo Juca de Oliveira se prepara para ver na tela o seu texto Qualquer gato vira lata tem uma vida sexual mais sadia que a nossa. Ele se inspirou na teoria da evolução de Charles Darwin para escrever o espetáculo, que fala dos erros e acertos na hora das conquistas amorosas.
Depois divertir o publico no teatro, em uma montagem de Bibi Ferreira, a peça vai chegar ao cinema em um filme de Tomas Portella. A nossa equipe esteve no set para ver como ficará esta versão cinematográfica desta fábula de relacionamentos baseada no evolucionismo.
Por Roberta Canuto







