Seja em documentários autobiográficos ou em ficções que fogem à qualquer referência ao universo musical, cada vez mais expoentes da nossa MPB fazem do cinema uma forma de expressão.
O músico Branco Mello levou a sua história com os Titãs para as telas, dirigindo ao lado de Oscar Rodrigues Alves, o longa-metragem Titãs a vida até parece uma festa. O filme tem imagens preciosas da trajetória de uma das maiores bandas de rock brasileiras, com imagens de bastidores que só poderiam ser captadas por alguém que estivesse intimamente ligado ao grupo. O resultado é um filme cheio de ritmo e energia, que da saudade da fase áurea do BRock.
Caetano Veloso nunca escondeu o seu amor pelo cinema. Em sua obra literária e musical o cinema sempre foi uma referência fortíssima. Em 1986 ele aprofundou esta paixão tangente no filme Cinema Falado. No longa ele promove um debate intelectual sobre várias questões entre expoentes da cultura e da vanguarda brasileiros.
O compositor Sergio Ricardo tem profunda ligação com o cinema. Além da famosa parceria com Glauber Rocha no Cinema Novo, que rendeu as trilhas dos filmes Terra em Transe e Deus e o Diabo na Terra do Sol, ele dirigiu os longas-metragens Esse mundo é meu, Juliana do amor perdido e A noite do espantalho.
O profeta do caos Jorge Mautner também expressou a sua genialidade através da câmera. Na década de 1970, enquanto esteve exilado em Londres, ele dirigiu o longa O demiurgo. O filme é uma espécie de tratado antropofágico tropicalista, uma bricolagem neoclássica vanguardista que tem Gilberto Gil(impagável como Pan), Caetano Veloso e o próprio Jorge Mautner como o demiurgo.
Por Roberta Canuto







