“Depois de um relativamente longo e bastante auspicioso período de filmagens da Luneta do Tempo, voltamos à carga neste blog. Agradeço a paciência de quem me acompanha neste espaço e sei que vocês estão ansiosos por boas novas. Eis que elas surgem implacáveis e me proporcionam o prazer de compartilhá-las com vocês”.
Assim começa um dos muitos textos do blog que o grande Alceu Valença faz sobre a sua intensa atividade músico, performática e agora cinematográfica. O longa metragem Luneta do tempo tem tomado boa parte da porção criativa do músico, que além de dirigir o filme irá também atuar e criar a sua trilha.
Ele diz ainda no seu diário virtual: “Filmamos durante seis semanas no Agreste de Pernambuco, na região da minha São Bento: Fazenda Riachão, Sítio Olhos d´Água (de meu primo Delio Valença), Pedreira do Galego, a incrível Pedra Furada e os 365 degraus que levam a seu topo, a vila de Cimbres dos índios Xukurus. Foi um processo belíssimo, mas também árduo, que demandou o esforço e a generosidade de nossa intrépida equipe”.
O que percebemos no blog e na conversa que tivemos com Alceu no estúdio é que este filme é para ele um acerto de contas consigo mesmo, com a sua história, as raízes e o sertão que ficou impregnado na sua memória. Com cangaços, romances e míticos personagens do agreste. No filme ele retomou o passo das andanças que fez pelo interior do nordeste, reencontrando paisagens que foram cenário para a sua infância, “Cordel Virtual ou a Luneta do Tempo é um musical que não segue a linha de nenhum musical tradicional. No fundo, é um mergulho que faço em minha infância, no meu passado e este passado tem a trilha sonora das ruas do Nordeste, dos cantadores anônimos, conquistas, violeiros, emboladores, cegos arautos de feira, da música de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, do samba-canção dos anos 50, da música contemporânea brasileira. Um documento para se pensar a cultura do Brasil e do Nordeste”...(trecho do blog).
Além de Alceu, o filme conta com Dira Paes e José Dumont no elenco. Vamos esperar para conferir este retrato cantado da alma do profeta mais carnavalesco que o Brasil já viu nascer.
Por Roberta Canuto





