“Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião, somos o futuro da nação” estes versos resumem bem o espírito de uma geração que mudou a história do rock brasileiro.
Na década de 1980, o som das guitarras tomou de assalto o planalto central, elevando consideravelmente os decibéis e a qualidade poética do nosso pop rock. Bandas como Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial e Paralamas do Sucesso escreveram um capítulo fundamental na enciclopédia do rock brasileiro.
Jovens bem nascidos, filhos de diplomatas, políticos e professores universitários, eles voltavam da Europa trazendo na mochila o sonho de mudar o mundo e fazer uma banda de rock.
Foi assim que o Brasil redescobriu Brasília e uma juventude que fazia da música um grito de contestação. Agora esta história vai virar filme no documentário ‘Rock Brasília – ninguém segura esta utopia´, de Vladimir Carvalho.
Na década de 1980 o diretor pediu aos seus alunos que registrassem aquela explosão do rock na cidade, mas ele mesmo acabou fazendo estes registros, rendendo um acervo enorme de imagens das bandas. Agora Vladimir está colhendo depoimentos para finalizar o longa.
A efervescência daqueles tempos ficou para trás, mas a força da música permaneceu no imaginário daquela geração e de outras que vieram e conheceram aqueles tempos através da web e dos discos daquelas bandas. Algumas delas permanecem na estrada com força e renovando o público, mas outras como a Legião, ficaram na história como um sopro de renovação na música urbana brasileira.
O guitarrista Dado Villa lobos viveu a intensa relação do público com o som da banda liderada por Renato Russo, que gerou na época trocadilhos como Religião Urbana. Hoje, além de música para ouvir, ele faz música para ver, com trilhas premiadas no cinema. São dele as trilhas sonoras dos longas ‘Pro dia nascer feliz’, de João Jardim e ‘Buffo e Spallanzani’ de Flavio Tambellini, com quem Dado Villa Lobos trabalhou de novo recentemente, no filme “Malu de bicicleta”, que está em finalização.
Sobrinho neto do grande mestre Heitor Villa Lobos e filho de diplomatas, Dado cresceu entre o mundo e uma Brasília que se revelava pronta para uma grande explosão cultural.
A história do Legião Urbana deverá ser contada em breve pelo cinema nos longas ‘Faroeste Caboclo’ de Renê Sampaio e ‘Somos tão jovens’, de Antonio Carlos da Fontoura e Luis Fernando Borges.
Aquela geração não sabia ainda que a sua história não seria eternizada só pela música, mas também pelas imagens que captaram um momento único na trajetória do rock brasileiro. Para a nossa sorte, havia algumas câmeras apontadas para eles, e por traz delas, diretores como Roberto Berlinner, criador de alguns dos primeiros videoclipes feitos no Brasil.
Hoje é impossível separar música e audiovisual na cena pop rock brasileira. Antes do som tocar nas rádios e nos mp3s, ele já é campeão de acessos no youtube com os vídeos da banda.
Os rapazes dos ‘Móveis Coloniais de Acaju’ também vieram de Brasília e conquistaram o País com um som cheio de metais e uma performance contagiante no palco. Os shows da banda já viraram programa de tevê e suas músicas têm videoclipes caprichados. Eles são a cara de uma nova geração que tem toda uma parafernália tecnológica para produzir e divulgar o trabalho e fazem isso muito bem, não é à toa que os shows dos caras ficam lotados, mesmo que eles não tenham uma grande exposição nas mídias tradicionais como os jornais e as tevês.
Mais um sinal de que Brasília tem mesmo vocação para ser moderna. Uma das mais jovens capitais do planeta não perderia a oportunidade de multiplicar uma tendência que é a cara do futuro: a fusão entre o rock e as novas tecnologias.
Por Roberta Canuto





