“Eu me lembro, a gente trabalhando lá, frequentando as boates no meio daqueles operários, tudo vestido igual. A gente tinha até a impressão que a sociedade ia melhorar, que os homens seriam mais iguais, né?”
(Oscar Niemeyer em A vida é um sopro, de Fabiano Maciel)
A utopia dos tempos de invenção de Brasília não sobreviveu ao poder; e a beleza harmônica do Plano Piloto assistiu ao crescimento acelerado das cidades satélites, formando entre eles um imenso abismo social.
O diretor Ardiley Queiroz, nascido e criado em Ceilândia, umas das cidades que margeiam a capital, usa o cinema para falar desta fronteira imaginária que separa o sonho modernista do caos pós-moderno que a desigualdade social deixou marcada no Distrito Federal.
Recentemente ele foi o vencedor de um edital criado pelo Ministério da Cultura para a realização de um documentário sobre os 50 anos de Brasília.
O nome do projeto deixa uma pergunta no ar: “a cidade é uma só?”.
Uma pergunta que serve de reflexão para pensarmos a cidade como um microcosmo do Brasil, um País que ainda não sabe como resolver o problema de suas periferias invisivelmente cravadas no centro das metrópoles, e, no caso de Brasília, sintomaticamente orbitando à margem do poder.
“E Brasília foi assim uma aventura, cheia de problemas e desencontros, desconforto... A gente mal alojado. Mas havia determinação do JK, e a coisa prosseguiu. Porque eu acho que a vida é assim. A gente tem que separar as coisas. A vida é chorar e rir a vida inteira. Aproveitar os momentos de tranquilidade e brincar um pouco. Depois, os outros é agüentar. A vida é um sopro, né?”
(Oscar Niemeyer em A vida é um sopro, de Fabiano Maciel)
Por Roberta Canuto





