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Programa 64/774 – 27-08-11 (Reprise)
Ed Motta fala sobre sua relação musical com o cinema e a paixão pelas trilhas sonoras.
David Tygel apresenta sua visão sobre o processo criativo de um filme e como trabalha a trilha sonora dentro desta criação coletiva.
Destaques do programa Revista do Cinema Brasileiro nº 64/774 (11/02/2012 | REPRISE)
Programa - 07/717 - 05-06-10
REVISTA - BRASÍLIA UTOPIA CINEMATOGRÁFICA

“O Juscelino passou por aqui, me chamou, descemos juntos pra cidade e ele me disse: “olha, eu quero fazer uma capital. Uma capital diferente. Não quero uma capital provinciana, quero uma coisa bonita, que mostre a importância do país”
(Oscar Niemeyer em A vida é um sopro, de Fabiano Maciel)

Brasília nasceu de um sonho que se tornou real pela ação de mentes visionárias, construindo em meio século uma cidade que assistiu ao surgimento de uma efervescência cultural igualmente particular, afinal, diante de Brasília, nada fica indiferente.

Em 2010, este Patrimônio da Humanidade feito de contradições, está completando meio século. A Revista do Cinema Brasileiro aproveitou para fazer uma homenagem a este templo moderno criado para ser a sede do poder, mas que para nós brasileiros, é muito mais que isso.

Optamos por falar de uma Brasília cantada pelo rock e registrada pelo cinema de várias gerações.

Quem já viu o pôr do sol sobre a Esplanada dos Ministérios ou se perdeu em um horizonte que nunca termina, sabe que Brasília tem vocação para ser cinematográfica.

Não é por acaso que logo nos primeiros anos de vida, a capital ganhou um dos primeiros cursos de cinema do país em Universidades Públicas.

O curso de cinema da Universidade de Brasília nasceu do desejo de nomes como Darcy Ribeiro, Paulo Emílio Salles Gomes e Nelson Pereira dos Santos. Com um projeto humano e acadêmico único no País, que extendia a reflexão cultural a outros departamentos da UNB, o curso foi considerado “perigoso e subversivo” pela ditadura. O resultado de um projeto tão libertário e inteligente foi o fechamento da escola em 1965, levando posteriormente, em 1968, ao fechamento da UNB.

Todo este processo foi registrado por Vladimir Carvalho no filme Barra 68, sem perder a ternura. No filme é possível entender porque a ditadura considerou a UNB uma ameaça, por lá passaram alguns dos maiores pensadores e formadores de opinião da cultura ocidental na época. No filme, diretores da “cúpula” do Cinema Novo e atores como o francês Jean Pierre Leaud, alter-ego de François Truffaut, falam entusiasmadamente sobre projetos de mundo novo.

O fechamento da UNB representou o começo de uma história trágica, de perseguição política e cassação dos direitos civis. O desejo de fazer de Brasília um grande pólo cinematográfico só foi retomado muitos anos depois.

Com a retomada da democracia, o curso de cinema foi incorporado pela Faculdade de Comunicação. E lá começou a se formar uma nova geração de cineastas no Distrito Federal. Esta nova geração continuou apostando em um olhar absolutamente original, fruto de quem viveu em uma cidade diferente; sem esquinas, erguida sobre pilotis e que tem a forma de um grande avião voando eternamente em direção ao oeste.

O cinema do diretor José Eduardo Belmonte representa bem o espírito contestador e ousado das primeiras gerações de brasilienses que cresceram junto com a cidade.

Também formado pela UNB, ele desponta hoje como um dos nomes mais talentosos do audiovisual brasileiro. Seus filmes trazem uma melancolia e uma urbanidade próprios de quem cresceu em Brasília. Uma cidade que transpira juventude e tem a pulsação quase adolescente da eterna descoberta. Belmonte levou este estranhamento para os seus filmes em forma de poesia, de uma inquietude que faz dos seus personagens estrangeiros em qualquer parte que estejam.

Além de formar cineastas, Brasília é também uma locação recorrente do nosso cinema. O imaginário do público ganhou forma quando filmes exportaram para o planeta as imagens daquela cidade única. Diretores brasileiros e estrangeiros fizeram das avenidas e monumentos da capital do País o cenário e o tema dos seus filmes.

Filmes como A idade da terra, de Glauber Rocha, Patriamada, de Tizuka Yamazaki, Doces Poderes, de Lucia Murat e Brasilia 18% de Nelson Pereira dos Santos são exemplos de um cinema que fez dos corredores e dos porões da política o cerne de suas tramas, mas há também os que falam de existencialismo e romance nas avenidas monumentais da capital.

Por Roberta Canuto


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