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Programa 64/774 – 27-08-11 (Reprise)
Ed Motta fala sobre sua relação musical com o cinema e a paixão pelas trilhas sonoras.
David Tygel apresenta sua visão sobre o processo criativo de um filme e como trabalha a trilha sonora dentro desta criação coletiva.
Destaques do programa Revista do Cinema Brasileiro nº 64/774 (11/02/2012 | REPRISE)
Programa - 06/716 - 29/05/10
REVISTA - Ana Rosa, uma atriz completa

Aos quinze anos de vida, ela já estava no picadeiro do Circo Teatro Novo Horizonte, do capitão Juvenal Pimenta, seu avô, para viver um bebê abandonado no drama O mundo não me quis. Pré-destinada pelos deuses da cena, a atriz Ana Rosa nasceu na berlinda e fez da arte de atuar uma missão de vida.

A sua ligação com o circo carrega todo um lirismo que vem de um tempo em que ser ator era ser mambembe, cigano, aventureiro... Uma profissão exercida pela paixão antes de tudo, uma lúdica forma de encarar a vida, que demorou décadas até atingir o patamar de sofisticação e exageros alimentados pela indústria da celebridade. Ser atriz quando Ana Rosa começou, era “não andar com os pés no chão” como eternizou Chico Buarque na linda canção Beatriz, em parceria com Edu Lobo.

Aos nove anos, Ana Rosa já estava assim, sem os pés no chão, pendurada no arame do trapézio. E sua relação apaixonada com o circo ainda a acompanharia por mais duas décadas. Nos anos sessenta, ela descobriu o teatro de revista e excursionou pelo Brasil com uma trupe que deixava um rastro de magia em um País pré-televisão. Quando a rua, o palco e a lona eram ainda o território do entretenimento por excelência.

Nas décadas de 1970, 80 e 90, Ana Rosa se dividiu entre a tevê, o palco e o cinema. Em espetáculos que arrebatavam o público e reafirmavam a sua forte presença junto à platéia, com textos de Flavio Rangel, Garcia Lorca e Millor Fernandes.

Em 1964, ela protagonizou Alma Cigana, a primeira novela gravada em vídeotape no País, dirigida por Cassiano Gabus Mendes na Tupi. Protagonizou também O destino, a primeira novela do SBT e chegou à Globo em 1983 na minissérie Moinhos de Vento, dirigida por Walter Avancini.

Em 1997, a vida artística de Ana Rosa encontra o seu lado espiritual. Começa assim a profunda ligação da atriz com o universo espírita nas produções artísticas. Neste ano, junto com Guilherme Corrêa, ela faz a adaptação do livro Violetas na Janela, de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho. O espetáculo foi assistido por mais de 156 mil pessoas em todo o Brasil. Em 1998, Ana Rosa também assumiu o desafio de dirigir o espetáculo O Cândido Chico Xavier, que permanece até hoje excursionando pelo país.

Este encontro entre a vida e a arte se manteve e Ana Rosa está presente no elenco de pelo menos quatro produções do cinema espititualista recente, incluindo os sucessos Bezerra de Menezes e Chico Xavier.

O Kardecismo foi o caminho que Ana Rosa encontrou para guiar a sua fé, iluminando uma vida marcada por muito sucesso, mas também por perdas de entes queridos. E como a Beatriz da canção, ela parece saber que “para sempre é sempre por um triz”.

Por Roberta Canuto


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