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Assista aqui o último programa na íntegra!
Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
18-05-11
COLUNISTA CONVIDADO - Helena Dale


Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito

O meu envolvimento com o cinema nacional começou quando o filme Central do Brasil recebeu indicação para o Oscar. A ARPEF já vinha trabalhando há alguns anos, enquanto instituição voltada para o trabalho com surdos, pela acessibilidade. E desde 2000, com a criação do CPL Soluções em acessibilidade, passamos a trabalhar com a acessibilidade na televisão, produzindo closed caption – legenda oculta, para filmes da Rede Globo.

No entanto, fomos surpreendidos, de certa forma, com o interesse dos surdos pela indicação do Central do Brasil ao Oscar. Na medida em que esse grupo de pessoas começava a se acostumar com a acessibilidade na televisão, essa possibilidade passou para o cinema nacional. Porque não tinham acesso também a filmes nacionais?

Nasceu aí, nesse momento, um projeto que pudesse levar a eles o cinema nacional com legenda, e a cultura do nosso país nessa forma de arte. Em 2004, finalmente, conseguimos abrir as portas do cinema nacional para os surdos, quando o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro mostrou sensibilidade e visão ao patrocinar o projeto “Cinema Nacional Legendado”. Desde então, o projeto vem sendo realizado no Rio e, desde 2007, também no CCBB de São Paulo.

O projeto ganhou em 2007, no Rio, e, em 2008, em São Paulo, um novo público. A partir da utilização de uma nova tecnologia e da adaptação da sala de cinema, o público cego passou a ter acesso à audiodescrição e a sala de cinema dos dois centros culturais tornou-se um espaço com a acessibilidade garantida.

Depois da primeira mostra de filmes no CCBB, a ARPEF começou a receber e-mails de pessoas surdas dos mais diversos cantos do país, querendo também ter acesso aos filmes nacionais. Nasceu, então, uma nova versão do projeto que pudesse garantir a difusão de filmes nacionais legendados pelo país. Com o patrocínio da Petrobras, o “Cinema Nacional Legendado – Versão Videoteca” distribuiu, em 2006, 100 kits com 60 filmes nacionais com legenda para a quase totalidade de estados brasileiros, contemplando associações, escolas, clubes, enfim, instituições ligadas ao surdo.

Este projeto foi reeditado em 2007 e, agora, em 2011, a terceira edição contemplou, além do público surdo, também o público cego, com outros 100 kits.

Os projetos tiveram e vem tendo o objetivo de levar a cultura nacional a esse público, que até então estava alijado dessa forma de lazer. Mas existe outro objetivo também tão importante que é chamar a atenção dos cineastas e produtores para esse público, 17 milhões de cidadãos, portanto uma parcela expressiva de brasileiros que querem ter acesso à cultura e aos filmes nacionais “em tempo real”, isto é, no momento do lançamento comercial desses filmes!

É importante mencionar que para o desenvolvimento do padrão de closed caption e da audiodescrição, a parceria com a comunidade surda e cega foi fundamental . A consultoria que vem sendo prestada por esses dois grupos junto ao CPL vêm possibilitando um trabalho de alta qualidade, sendo enriquecido e aprimorado a cada dia.


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Helena Dale
Formada em fonoaudiologia, foi fundadora da ARPEF – Associação de Reabilitação e Pesquisa Fonoaudiológica há 24 anos, junto com outros profissionais ligados a área da surdez; fundou o CPL - Soluções em Acessibilidade há 12 anos. Coordena projetos culturais voltados para surdos, desde 2004, e para cegos, desde 2007. Tem um filho surdo, hoje com 30 anos, que é formado em Ciência da Computação, atleta tetra campeão brasileiro de vôlei de praia, casado com Renata, surda como ele, e pai da Ana Luiza.

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