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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
17-01-11
COLUNISTA CONVIDADO - Silvio Tendler


“Há muitas noites na noite", Videoinstalação sobre "Poema Sujo”, de Ferreira Gullar

Imagine um filme em construção que brota sob o olhar dos espectadores. Imagine um salão vazio, chão de pedra, paredes brancas. O chão é coberto por carpete, a maior parede pintada por artistas grafiteiros cujo tema são personagens do “Poema Sujo”, de Gullar. Mesas de botequim são instaladas no salão.

Sobre as mesas, estão colocados alto falantes, assim como dois projetores que exibem imagens sobre o tampo. Nas paredes, projeções diversas de poemas ou extratos da exposição. O ambiente criado é o de um café (Café.com Poesia): Jovens atores vestidos de garçons oferecem aos "clientes" um cardápio cuja essência são poesias, músicas, depoimentos, o entorno do “Poema Sujo” de Gullar, escrito em 1975, em Bueno Aires quando o poeta, exilado e impedido de voltar ao Brasil e com sua vida ameaçada pelo fascismo crescente no Cone Sul, escreveu seus versos mais viscerais.

No cardápio, atores, músicos, poetas, acadêmicos, apaixonados por poesias recitam inteiro o “Poema Sujo”, gravado num palco de teatro escuro, tendo como único objeto de cena uma mesa de bar. Os músicos cantam acompanhados por suas guitarras. Todos recitam tendo entre as mãos o livro de Gullar. Os textos são interpretados com maestria por gente como Letícia Sabatella, Camila Pitanga, Helena Ranaldi, Nathalia Timberg, Giulia Gam, Elisa Lucinda, Sergio Britto, Paulo Betti, Osmar Prado, Cecil Thiré, Zelito Viana, Bernardo Cerveró, Amir Haddad e grande elenco, capaz de causar inveja a qualquer filme, qualquer novela. Cantam Maria Bethânia, Edu Lobo, Fagner, Zeca Baleiro, Pedro Luis e Alcione, que também interpretam trechos do "Poema Sujo". Também colaboram com importantes depoimentos intelectuais como Walter Carvalho, Antonio Carlos Secchin, Eric Nepomuceno, Vera de Paula, Cecilia Boal, dentre muitos outros. Aqui trata-se de um documentário em construção, cujo desafio maior é romper os preconceitos dos que acham um montão de coisas equivocadas: que o povo não gosta de poesia, que poesia não dá documentário, que documentário tem que ter roteiro (o que é a negação máxima de um filme em construção) e sobretudo o preconceito maior de que documentário não é arte.

"Há Muitas Noites Na Noite" vem romper com todos os gêneros de preconceito, começando contra o cinema documentário, papo cabeça considerado por um crítico como bom para papo de botequim e não sala de cinema. A videoinstalação subverte o conceito e mostra que poesia também é coisa de bar e de cinema. A afluência de público levou a prorrogação da permanência da videoinstalação, o que mostra que teve boa aceitação.

Esta é uma videoinstalação itinerante e por onde ela passar trará novos elementos para o filme, que podem ser novos atores, músicos, grafiteiros, ilustradores, bailarinos. A cada passo, novos elementos são incorporados. A partir do dia 3 de janeiro de 2011, retornará acrescida do depoimento de Eduardo Galeano sobre a Buenos Aires dos anos 70 e do ambiente onde Gullar escreveu sua poesia. Depoimento novinho em folha, gravado especialmente para o filme em Montevidéu, para onde me desloquei exclusivamente para termos mestre Galeano nesse filme. Com esse carinho e dedicação, “Poema Sujo” será lapidado em imagens e sons em cada aresta até tornar-se o Documentário de longa-metragem e a minissérie de TV "Há Muitas noites na Noite". Estão todos convidados. Quem quiser ajudar a videoinstalação a circular pelo país, é só falar.

Venham degustar o café no Oi Futuro de Ipanema (R, Visconde de Pirajá 54 - 2º andar - Ipanema). De 4 a 30 de janeiro, de terça a domingo, de 13h às 21h. Quem quiser degustar um pouco pela internet, é só acessar: www.youtube.com/watch?v=jAQohkzRUKo

Sejam bem vindos!!


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Silvio Tendler
Silvio Tendler (nascido em 1950) é um renomado documentarista brasileiro. Conhecido como "o cineasta dos vencidos" ou "o cineasta dos sonhos interrompidos" por abordar em seus filmes personalidades como Jango, JK, Carlos Marighella, entre outros, Silvio é, antes de tudo, um humanista, que já produziu cerca de 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens. Entre eles: "O Mundo Mágico dos Trapalhões", "Jango" e "Anos JK". Em 1981 fundou a Caliban Produções Cinematograficas Ltda., produtora direcionada para biografias históricas de cunho social.

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