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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
10-12-10
COLUNISTA CONVIDADO - Amanda Wanis e Martinho Hoffman


WEBSÉRIES. Será este formato uma alternativa para o produtor independente?

As webséries parecem estar vindo com força total nesse início de século XXI, embora essa ideia já seja explorada desde 1995, quando surgiu The Spot, de Scott Zakarin. Desde então, o formato vem crescendo e alguns seriados de televisão têm inclusive prolongado suas histórias com tramas paralelas na internet, como é o caso da série americana Supernatural (no Brasil Sobrenatural) e sua websérie Ghostfacers. A atriz americana Lisa Kudrow, a Phoebe do seriado Friends, apostou na idéia e escreve, produz e estrela Web Therapy, outra série virtual de grande sucesso. O formato tem ganhado reconhecimento nos EUA, e já conta com duas premiações exclusivas naquele país: o Webby e o Streamy Awards.

Mas afinal, o que é a Websérie? Ela costuma se caracterizar por episódios curtos (entre 5 e 10 minutos), veiculados exclusivamente na internet por canais próprios, como é o caso de Ghostfacers, ou vinculados a plataformas de vídeo gratuitas como o Youtube. Esse formato se adapta perfeitamente às transformações tecnológicas dos últimos 20 anos e às mudanças na vida pós-moderna. Com este formato, o web espectador pode assistir os webisodes em diferentes plataformas, como o computador, o celular, MP4 e até em televisões com conexão à internet. Além disso, por não estar atrelada a uma grade de programação de TV, a websérie pode ser assistida a qualquer momento, até mesmo no horário de almoço do trabalho. Com a flexibilidade da vida moderna e a tendência em misturar a arte ao dia a dia, as séries virtuais podem ser uma alternativa rápida, prática e divertida para envolver trabalho, estudos e arte.

É claro que esta e outras artes que vêm se transformando e adaptando à nova realidade virtual só podem ser possíveis a partir do desenvolvimento da web 2.0, da popularização da internet e do desenvolvimento de novos equipamentos audiovisuais, equipamentos que cada vez mais são acessíveis a produtores independentes e ao próprio público. É o caso do último episódio da sexta temporada da série House (no Brasil Doutor House), gravado com uma câmera 5D da Canon, que é acessível a parte do público. Esse cenário propiciou o desenvolvimento de diversas ferramentas e canais que permitiram uma maior interação e participação do usuário. Com o aumento da popularidade da rede mundial de computadores nos últimos 10 anos, da troca de músicas e vídeos pela rede, além do grande sucesso que se tornou o Youtube, nasce um grupo de web espectadores que, devido à grande oferta de produtos disponíveis e em contínua expansão, estão cada vez mais buscando sua própria grade de programação online, incluindo, principalmente, as produções audiovisuais.

No Brasil, em agosto de 2010, o acesso e a utilização da internet, tanto em locais de trabalho quanto em residências, cresceram 6,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo a pesquisa do IBOPE/Nielsen. Tal dado reflete a existência de um público cada vez maior de audiovisuais na web. Segundo dados da NIC.br - set/nov 2009, 54% da população brasileira assiste a filmes ou vídeos através de sites como o Youtube, por se tratar de um acesso fácil, rápido e cômodo. Portanto, o público do segmento audiovisual online se encontra em grande desenvolvimento, o que colabora também para o incremento da produção feita especialmente para esta mídia.

Embora o aumento dos web espectadores seja notório, o programa de banda larga no Brasil ainda está muito aquém do necessário e do possível para aumentar ainda mais esse público, assim como os produtores desses novos meios. Mesmo assim, já encontramos algumas tentativas pioneiras de seriados virtuais no Brasil. É o caso, acreditamos, da nossa produção Ana & Cezar. Essa websérie foi veiculada em plataformas gratuitas de hospedagem de conteúdos audiovisuais como o Videolog Uol e o Youtube, sem a necessidade de uma emissora de tevê ou de distribuidoras de audiovisual, um dos maiores gargalos na produção audiovisual no Brasil.

Em suma, trata-se de um meio que, embora esteja se popularizando, ainda tem um bom caminho a ser trilhado para conquistar o público da web, em especial o brasileiro. As tendências indicam que o entretenimento está rumando para a internet, para a interatividade. Essa mídia tem elementos para crescer muito nos próximos anos e ainda pode surpreender muita gente.


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Amanda Wanis e Martinho Hoffman
Amanda Wanis – Produtora Cultural formada pela Universidade Federal Fluminense, Coordenadora Geral do projeto Moviola: Sincronizando Cinema e Educação e diretora de produção da websérie Ana & Cezar. Martinho Hoffman – Graduando em Cinema pela Universidade Federal Fluminense, diretor do curta Damas, vencedor do prêmio por voto popular no 1º Festival Curta o Flagra e selecionado para o 7º Festival Internacional de Cinema Infantil, e Diretor da Websérie Ana & Cezar.

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