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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
18-11-10
COLUNISTA CONVIDADO - André Pinto


Cinema no celular: Nova linguagem?

Em minha primeira participação no Cel.U.Cine, concurso de micrometragens para celular, fui premiado em 2º lugar com um vídeo de inspirações fantásticas, o 100 em 1. De todos os meus trabalhos, este resultou numa obra um tanto peculiar. Considero o curta uma realização nascida intencionalmente para ser exibida em um aparelho celular. Quando me dispus a transpor meu roteiro para vídeo, fiz questão de fazer algumas pesquisas sobre a mídia que serviria de divulgação e apreciação por parte do público do meu filme.

Obviamente não imaginei a obra como algo que seria exibido em uma ampla sala escura, para uma grande platéia e com um som espetacular. Nada parecido com um épico Hollywoodiano. Idealizei o curta como algo que chegaria às mãos de um indivíduo, em uma telinha de dimensões que não ultrapassam mínimas polegadas. Levei em conta algumas recomendações na fase de desenvolvimento que foram decisivas para moldar a obra de uma forma um pouco diferente do que é visto em TV ou cinema.

Entendi que estas mesmas recomendações (note que eu sequer mencionei tais preocupações como regras) não deveriam ser limitadoras para a elaboração de uma história. Pelo contrário: qualquer fator limitador pode e deve ser transformado em vantagem para o realizador e, principalmente, para tornar mais fácil a apreciação do filme pelo público-alvo. Vivemos num país em que a quantidade de celulares já ultrapassou a marca dos 190 milhões, um número acima da população total brasileira. Num futuro não muito distante, uma obra audiovisual distribuída pelo celular poderá ter chances de divulgação e projeção bem mais significativas do que filmes no cinema ou na televisão.

Síntese – Comecei com um roteiro um pouco elaborado, mas no decorrer do desenvolvimento eu sintetizei ao máximo a narrativa. Reduzi cenários e personagens, a ponto de finalmente chegar a um único espaço, um personagem e apenas um plano estático de câmera focado no ator. Imaginando que existem telas de celulares mais simples, com resoluções minúsculas de 128x128 pixels, coloquei o plano em close no rosto do ator, garantindo assim que qualquer telinha pequena ou média captasse bem as reações do personagem (meu roteiro demandava que o espectador prestasse atenção nas expressões do protagonista).

O resultado foi um micrometragem que relata uma história de começo, meio e fim, com direito a uma virada surpreendente em pouco menos de dois minutos. Estética a favor da mídia veiculadora – já tinha em mente produzir o curta em preto e branco, pois concebi a história como se fosse um episódio do antigo seriado americano Além da Imaginação, mas o fato de não ter usado cor se tornou um elemento facilitador para deixar o arquivo final em menor tamanho, facilitando a distribuição online.

Vídeos coloridos demandam mais velocidade de processamento, e talvez alguns celulares menos equipados apresentariam falhas ao exibir o curta. Como o filme é baseado em uma cena estática, com o personagem falando para a câmera em close, quase não há movimentação, desfoque ou outro elemento que possa exigir do processador do aparelho mais memória para exibição. Mais uma vez insisto: Tais cuidados não precisam ser encarados como limitações ou entraves à criatividade, mas uma chance dos artistas mostrarem um novo olhar e uma oportunidade de exercitar experimentações audiovisuais.


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André Pinto
Designer gráfico, webdesigner e cineasta digital. Formado em Design Gráfico - Desenho Industrial pela UFPE, Pós-graduado em Estudos Cinematográficos pela UNICAP. Atualmente é Sócio-Diretor de Criação da Casullo Agência Digital. Em 2009 conquistou o 2º lugar no Festival de Micrometragens Cel.U.Cine , com o vídeo 100 em 1.

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