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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
13-10-10
COLUNISTA CONVIDADO - André da Costa Pinto


Muito além do arco-íris

Por que o gay tornou-se um personagem tão recorrente no cinema nacional? Nesse questionamento não vou nem considerar os longas, pois a quantidade de curtas que abordam a temática homossexual já ocupa todo o Brasil, do Oiapoque ao Chuí, e já são uma mostra mais do que suficiente para justificar essa questão.

Há três anos, realizei o curta Amanda e Monick que aborda a vida de dois travestis do interior da Paraíba. Com esse curta participei de vinte e dois festivais de cinema dos mais importantes do país. Nesses festivais, ao lado do Amanda e Monick estavam Café com Leite de Daniel Ribeiro, Bárbara de Carlos Grandim, Homens de Lúcia Caus e Bertrand Lira, de Fellipe Sholl, Suzy Brasil de Renata Than, dentre outros. Ali, em 2008, já notava um segmento da produção de curtas – metragens nacionais voltados para temática da diversidade sexual.

Agora em 2010 vejo que essas produções vêm aumentando e que o foco delas superou o debate sobre a questão do certo ou do errado quanto ao comportamento sexual. O foco não é mais a aceitação e sim o cotidiano, os personagens com forte apelo narrativo e enredos que não se limitam a questão da discussão em torno do preconceito, nem tampouco apenas apresentam o homossexual como figura estereotipada, caricata, com o gestual feminino exagerado que serve apenas para fazer o público rir.

Recentemente, acompanhando a curadoria da V edição do Festival Comunicurtas em Campina Grande, Paraíba, do qual sou idealizador e diretor, dos trezentos e vinte e um trabalhos inscritos nas mostras competitivas, quarenta e um mostravam pelo menos um personagem homossexual. Desses, vinte e três, tinham o homossexual como seu protagonista. Lembro que o Comunicurtas não é um festival voltado para a temática sexual.

O fato é que, abordagens sobre a diversidade sexual no curta brasileiro tem se tornado tão recorrente que vem consolidando um espaço próprio na cinematografia nacional. Uma prova disso é o número de festivais sobre a diversidade sexual que estão sendo ou serão realizados no país, a exemplo do Mix Brasil (que acontece na cidade de São Paulo, porém realiza mostras descentralizadas por vários estados brasileiros), o For Rainbown (que acontece em Fortaleza, Ceará), a Mostra Possíveis Sexualidades(em Salvador, Bahia) e o Close (em Porto Alegre, Rio Grande do Sul). A existência desses festivais só foi possível graças ao grande número de produções cinematográficas que estão sendo realizadas com temáticas voltadas para esse segmento.

O último festival citado, o Close, realizará sua primeira edição esse ano. Promovido pelo Grupo SOMOS, conta com o financiamento do Ministério da Cultura, que, aliás, também possui leis de incentivo a produções sobre sexualidade e gênero. Para terminar, é bom ressaltar que festivais voltados para a temática da diversidade sexual não são festivais onde só os gays participam, o debate é aberto a todos, principalmente quando apresenta ao público novas realidades que vão além daquilo que julgamos ter conhecimento. E isso talvez nos ajude a responder nossa questão inicial.


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André da Costa Pinto
Jornalista, cineasta e professor.

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