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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
28-09-10
COLUNISTA CONVIDADO - Isabel Sanson Portella


Os primórdios da videoarte no Brasil

Nos anos 70, a videoarte e o cinema experimental estavam intimamente imbricados, pois o cinema alternativo, experimental, o qual, mesmo sem muito suporte financeiro, marcou época e contribuiu fortemente para o debate cultural. Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça*, este foi o mote que alimentou os cineastas da década de 70, que tinham muitas idéias e pouquíssimo orçamento.

A qualidade técnica da videoarte dos anos 70, principalmente no eixo Rio - São Paulo, de um modo geral, buscava-se e ressaltava-se certo “descuido” no acabamento das imagens: um descuido proposital. Nos trabalhos em vídeo, os artistas procuraram ressaltar a falta de aprimoramento técnico e introduziram isso como mais um elemento a ser levado em consideração – a baixa qualidade e indefinição da imagem, ruídos técnicos eram elementos explorados e evidenciados assim como muitos planos fechados, espaços fechados – ambientes domésticos. Nesse caso o que está sendo analisado é o seu suporte e não a narrativa.

Nessa época e em nosso contexto brasileiro, havia uma imensa preocupação em passar uma mensagem de um país moderno e avançado. Fachada que mal disfarçava as intenções de controle absoluto sobre sociedade - criando um embate ao cuidadoso “padrão de qualidade globo” da narrativa televisiva e de quebra uma ação crítica contra o momento político.

A atuação de Walter Zanini, diretor do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, foi decisiva – cedendo espaços e promovendo eventos como a primeira exposição de vídeoarte no Brasil. Segundo Arlindo Machado, a videoarte surgiu no Brasil com a produção dos artistas cariocas para a mostra na Filadélfia. Convite feito a Walter Zanini e transposto a artistas cariocas e paulistas, entretanto, só o grupo carioca composto por: Anna Bella Geiger, que reúne um grupo de alunos que formam o que muitos chamam a primeira geração de videoarte no Brasil, Fernando Cocchiarale, Paulo Herkenhoff, Ivens Machado, Sônia Andrade, Letícia Parente e Miriam Danovsky, conseguiu viabilizar os vídeos com o equipamento emprestado por Jom Tob Azulay. Podemos considerar assim esse estímulo do então diretor do MAC/USP ao início da videoarte no Brasil.

A videoarte deve ser vista como uma expansão e ampliação das questões sobre o suporte artístico (medium), como busca por novas formas de exploração que coincidem com o meio – super 8 e vídeo: tempo e movimento. O vídeo se transformou num registro rápido de idéias, transpõe para o meio e produto a experiência do tempo, de como ele é medido e de que forma somos enclausurados por ele. Os vídeos registram situações de movimento, que nos mobilizam, impossibilitando permanecermos indiferentes.

*Frase-emblema de Glauber Rocha.


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Isabel Sanson Portella
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais/EBA-UFRJ e curadora de Arte contemporânea independente.

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