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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
22-09-10
COLUNISTA CONVIDADO - Cesar Cabral


Animando

Vivemos um dos grandes momentos da animação.

Seja numa superprodução hollywoodiana ou num simples emotioncon na web, ela está lá, e muito disso é graças às ferramentas que a tecnologia trouxe, diminuindo custos e abrangendo um público cada vez maior, tanto no acesso quanto na sua produção. Como não poderia ser diferente já sentimos o reflexo no Brasil: temos hoje cerca de meia-dúzia de longas-metragens em produção, dez co-produções de séries e algumas centenas de curtas permeando os festivais, sem falar no grande fluxo publicitário que consome boa parte dos profissionais da área. Palavras como stop-motion, motion-graphics, CGI, 2D, 3D estão sendo incorporadas ao nosso cotidiano, resta agora sabermos o que vai ser disso tudo e qual o caminho a seguir.

Em 2008 foi lançado pela primeira vez um edital - o AnimaTV - do Governo Federal em parceria com a TV Cultura e TV Brasil voltado exclusivamente para séries de animação infantil. Reproduziu-se um panorama semelhante ao bem sucedido DocTV, com uma primeira etapa para produções de pilotos e consequente produção de duas séries para os mais votados por seleção envolvendo diretamente o público.

A política de trazer a animação para mídias de grande escala reflete um modelo já bem sucedido em outros países, como o Canadá que na década de 1960 formalizava a Nation Film Board e hoje é a grande referencia mundial em animação, com uma produção que ultrapassa 380 horas e com um orçamento de US$265mi anuais apenas para produção televisiva.

Em média uma produção em animação gera cerca de 20% a mais de receita quando comparado com obras em live-action (filmagem normal com atores), devido ao desdobramento gerado com licenciamento e retransmissões periódicas e a aposta em séries televisivas no Brasil começa a caminhar para isso.

Temos hoje quatro co-produções brasileiras em canais de grande importância: Escola Pra Cachorro, Pricesinhas do Mar, Meu Amigãozão e Peixonauta, todas afinadas com a tecnologia e modelos de negócios que permitem sua comercialização para o mundo.

Se por um lado estamos caminhando para a inserção da animação brasileira no mercado internacional e principalmente no mercado nacional, com seus entraves e barreiras que o mundo dos negócios apresenta (e não falo aqui do mercado de animação exclusivamente, mas do audiovisual como um todo), gerido pelas “majors” que impõem seu protecionismo e “brecam” qualquer tentativa de gestão de negócios que não lhes convém, resta-nos pensar outro ponto crucial para uma real produção de animação: como estruturar toda a cadeia produtiva e não se formatar num segmento específico do mercado?

Uma das coisas que mais sentimos nos últimos meses foi a carência de mão-de-obra especializada para a produção. Não tivemos profissionais suficientes nesse primeiro momento e se não estruturarmos uma cadeia sólida que englobe todas as etapas: formação, suporte de produção e meios de distribuição, certamente nos perderemos no caminho. Essa política foi indispensável para a afirmação de todas as potências da animação, seja no Canadá, França ou mesmo nos EUA.

Apesar de um ótimo começo com o AnimaTV - que numa primeira etapa desenvolveu, além dos pilotos, oficinas de formatação de projetos (bibles) e roteiros - por outro perdemos recursos para os editais para longa e curta-metragem. Isso num primeiro momento parece o movimento certo, tornar a animação auto-sustentável e o caminho de série parece hoje o melhor, mas por outro lado não podemos nos esquecer que a animação permite muito mais do que as séries televisivas necessitam: público infantil, larga escala de produção e consequente simplificação técnica e estilística.

O reflexo desse movimento só será notado a médio e longo prazo, mas é importante mantermos todos os segmentos num equilíbrio para que o fortalecimento da animação seja algo sólido e não apenas pontual.


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Cesar Cabral
Diretor e animador, tem em seu currículo, além de diversos filmes publicitários, os curtas-metragens Dossiê Rê Bordosa e Tempestade.

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