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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
22-08-10
COLUNISTA CONVIDADO - Marão


Animação Brasileira, por Marão

A primeira animação brasileira data de 1917. O primeiro longa é de 1953. O Anima Mundi começou em 1993. A ABCA foi fundada em 2003. A produção até o início dos anos noventa totaliza menos de quatrocentos títulos, pouco mais de vinte longas metragens em toda a história até o final dos anos noventa.

Na última década, o volume de animações e de profissionais vinculados à área cresceu em progressão geométrica em escala sem comparação com qualquer outra faceta do audiovisual.

A produção de animação hoje é maior do que em toda a história no Brasil, em quantidade e em qualidade. Curtas, longas, comerciais, séries empregam um número enorme de profissionais em projetos cada vez mais admiráveis. No ano passado os apoios e fomentos foram focados na produção de séries de animação, que dão trabalho a muita gente durante muito tempo e geram uma indústria autosustentável, através da venda, comercialização e licenciamento em diversos países.

Há muitas animações independentes e autorais espetaculares rodando os festivais dentro e fora do país. Além disso, há nove longas metragens de animação brasileiros em estágio de pré-produção, produção ou sendo finalizados este ano.

Hoje existe campo de trabalho para praticamente todas as técnicas, há espaço para animadores 3D, 2D digitais (que desenham com tablet diretamente na tela do computador), 2D tradicionais (que desenham com lápis no papel), profissionais de stop motion, pixilation, recortes digitais, há de tudo.

O crescimento atual caminha na direção da indústria: estúdios maiores, com produção mais constante, em dimensões crescentes de material produzido e – paralelamente – a formação e capacitação em cursos que têm sido criados para suprir a necessidade de profissionais de animação que o mercado brasileiro atualmente exige.

Para se tornar um animador são necessários muitos anos de dedicação, estudo e prática, é necessária seriedade e obstinação para um trabalho que depende enormemente de organização e concentração, não existe dom e nada vem fácil. Habilidade e criatividade são tão importantes quanto o estudo e a prática.

Um animador que já fez quarenta mil desenhos tem inúmeras aptidões mais desenvolvidas do que o que fez mil. Durante muitas décadas os profissionais no Brasil foram autodidatas, aprendendo estudando por conta própria em livros e assistindo a filmes. O aprendizado acontecia no próprio estúdio, hoje há diversas escolas em estágios distintos e com propostas diferenciadas: algumas tencionam formar o realizador autoral e outras preparam o profissional para funções específicas para o mercado de trabalho.

Um animador entende de desenho, composição, narrativa, interpretação, linguagem cinematográfica e - principalmente - de movimento. A qualidade do profissional advém do seu estudo (formal ou não), da sua assiduidade de prática, da contínua observação do mundo e do seu potencial criativo, de modo simultâneo e complementar.

Pela primeira vez nos últimos quase cem anos de animação no Brasil, a situação se inverteu. Graças à ABCA, ao Anima Mundi, aos editais públicos, à produção de curtas, longas, séries de TV e publicidade, a situação é contrária à época em que faltava trabalho, hoje faltam animadores!

O volume de produções cresce e já ha dificuldades em encontrar animadores em número suficiente. Alguns estúdios empregam cento e cinqüenta profissionais de animação. Alguns projetos envolvem mais de oitenta animadores por anos. Novos cursos têm surgido para suprir essa inédita carência do mercado. É o melhor momento para a área desde sempre.

Conheça mais sobre o trabalho de animação em www.maraofilmes.com.br


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Marão
Formado na Escola de Belas Artes da UFRJ, Marão é diretor de animação, tendo realizado nove curtas metragens e participado de mais de duzentas animações para publicidade, TV e cinema. Foi Presidente-fundador da ABCA (Associação Brasileira de Cinema de Animação) e hoje é integrante do Conselho da diretoria. Marão também é professor no curso de pós-graduação em animação da PUC, coordenador do Dia Internacional da Animação e sócio-gerente da produtora Marão Desenhos Animados.

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