Sete em cada dez internautas adultos usam a rede para ver vídeos segundo pesquisa recente do PewResearchCenter nos Estados Unidos. Mas quando olhamos a oferta disponível em sites como YouTube, Hulu ou Vimeo fica uma dúvida. Afinal, em termos de linguagem e de estrutura narrativa, qual a diferença entre uma produção feita especialmente para a web e outra simplesmente “importada” para o novo meio?
Produtos audiovisuais que realmente se aproveitam das potencialidades da internet ainda são uma minoria. Na área de não ficção, vem ganhando força o fenômeno do webdocumentário.
O webdocumentário é uma nova forma de contar histórias pela internet, que tem como ponto de partida a mistura de diferentes formatos: textos, áudios, vídeos, fotos, ilustrações e animações. Aproveita-se da linguagem documental criada para o cinema e para a televisão e a adapta para a rede, acrescenta-se a capacidade de interação e participação típicas da web e rompe-se com a linearidade da narrativa, já que o internauta pode escolher o que ver e em que ordem ver.
Trata-se de um fenômeno recente, com destaque sobre tudo na Europa. O formato conquistou espaço em sites de veículos de mídia tradicionais, como os dos jornais Le Monde (França) e La Repubblica (Itália), e de canais de televisão, como Arte.TV (França/Alemanha). Já há, inclusive, um nascente mercado de produtoras especializadas que realizam projetos para os grandes canais e apostam também em trabalhos autorais.
No Brasil, a Cross Content www.crosscontent.com.br lançou recentemente Filhos do Tremor – Crianças e Seus Direitos em um Haiti Devastado, um dos primeiros webdocumentários nacionais realmente multimídia (produções anteriores baseavam-se principalmente na difusão de vídeos para internet). Também mantém um blog www.webdocumentario.com.br sobre o tema, com o objetivo de explicar o conceito, falar do andamento dos projetos e compartilhar links.
Com o crescente interesse do internauta por produtos audiovisuais, e com o avanço tecnológico, a tendência é de que um número cada vez maior de realizadores aposte em produtos 100% web – interativos e multimídia – em vez de simplesmente replicar na internet trabalhos já realizados. Uma boa notícia para os internautas – e também para o mercado audiovisual brasileiro.
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Marcelo Bauer |



