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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
21-05-14
COLUNISTA CONVIDADO - Isabel Muniz


O Vendedor de passados

Quando Filipe Miguez me chamou pra colaborar com ele na adaptação para o cinema do livro O Vendedor de Passados de José Eduardo Agualusa, eu não imaginaria que passados 8 anos eu assinaria o filme sozinha. Assim com o roteiro desse filme foi sendo feito eu também fui me tornando uma roteirista.

Adaptar um livro pras telas é difícil. Foram mais de 28 (perdi as contas) tratamentos.
Muito vai e volta, muita gente lendo, opinando, palpitando, mas na “solidão do final das contas” fui eu e o diretor que tivemos que dar o ponto final. Um processo longo, difícil, mas uma delicia.

O inspiradíssimo livro do Agalusa se passa em Angola e é uma sátira política de um país na África marcado por guerras.
Ao trazer essa história pro Rio de Janeiro dos dias de hoje já perdemos esse pano de fundo da história original. Porém mantivemos a premissa do romance do Agualusa: um homem que vende passados pras diversas pessoas e com finalidades diferentes.

O diretor sempre quis que o nosso filme fosse, primordialmente, uma história de amor.

Lá fui eu procurar a história de amor que a premissa pedia.

Tendo como o personagem principal um vendedor de passados construí um par amoroso que se encaixa arquetipicamente ao nosso herói.
Uma misteriosa mulher que chega sem informar nada, sem mostrar sua personalidade, origem, classe social. Uma mulher sem passado. Sem nome, sem referência.
Ela quer um passado, mas não diz por quê. E quer ter cometido um crime.

É um prato cheio pro Vendedor, que até então não tinha amado ninguém, “inventar” uma mulher e se apaixonar por ela.
Uma alegoria óbvia da paixão.

Procurei (procuramos) contar uma história de amor diferente, original, mas que também tivesse outras camadas, como a questão que o próprio Vendedor tem com o seu passado, -ele foi adotado- e as questões dos outros personagens.
O mistério: quem é essa mulher e porque ela quer o passado permeia a nossa trama.

Foi meu primeiro roteiro de cinema. E me encantou exatamente por ser um roteiro de um filme: uma obra fechada, concluída, pensada como tal e ficará para sempre para ser vista.
A ideia inicial foi contar uma história crível e incrível ao mesmo tempo, o que já é um paradoxo. Acho que conseguimos!

Fui pra TV colaboro na minha segundo novela, e assino meu primeiro seriado, e de tempo em tempos volto pro teatro onde nasceu minha paixão de ser uma contadora de história.
Paixão essa que está por trás de todos os meus roteiros.


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Isabel Muniz
Roteirista do filme O Vendedor de Passados da Conspiração Filmes com direção de Lula Buarque, que estréia nos cinemas brasileiros em 2014. Roteirista e dramaturga, é atualmente colaboradora da novela “Geração Brasil” de Izabel de Oliveira e Filipe Miguez da TV Globo e coautora, junto com Paula Amaral e Heloísa Périssé, do seriado “Segunda dama”, que estréia este ano na mesma emissora.

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