Quartas, às 24h, na TV Brasil
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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
08-05-14
COLUNISTA CONVIDADO - Flávia Prosdocimi


Por que o humor?

A Pingo na Pia foi idealizada em 2011 por artistas. Artistas empreendedores, mas não empresários. Pensada a princípio apenas para existirmos como pessoa jurídica, a empresa acabou sendo nossa válvula de escape artístico em um Rio de Janeiro saturado de atores lutando para entrar no mercado. Não éramos absorvidos pelo comércio de entretenimento e ficava cada vez mais difícil bancarmos nossos espetáculos autorais que, sem patrocínio e divulgação, acabavam fadados à morte na praia. Os vídeos brasileiros para internet, nesta época, eram ainda bastante incipientes. Poucos canais se despontavam: a sua maioria de humor. Artistas e empreendedores, resolvemos tentar entrar no mercado pegando carona nesta lacuna promissora e, em 26 de Abril de 2012, lançamos nosso canal para internet. A ideia era publicar dois vídeos por semana, às segundas e quintas. Não durou nem três meses... sem recursos, não conseguimos manter a produção continuada com a qualidade que a gente queria. Deixamos o projeto se afogar. Aí, meses depois, o Porta dos Fundos deu as caras. Foi um marco na internet brasileira. Excelentes humoristas, vídeos de qualidade, números exorbitantes e um mercado em polvorosa por conteúdos de humor. Havia uma luz no fim do túnel. Então resolvemos apostar as nossas fichas. Reunimos um grupo eclético de artistas/amigos e retomamos o trabalho continuado em 1º de Maio de 2013, agora com uma carga mais leve: um vídeo apenas por semana. Apostamos em um humor engajado, carregado de críticas sociais. O canal teve relativo sucesso. Público cativo, vídeos com 200, 300 mil acessos. Risível, se comparado ao sucesso do Porta. Imenso, se comparado ao público que atingíamos no teatro. Aos trancos e barrancos, seguimos em frente, com a produção capenga subsidiada pelos parcos dólares arrecadados com a monetização dos vídeos pelo Youtube. Mas depois de oito meses de trabalho continuado e números ainda pouco expressivos, começamos a nos questionar a respeito do nosso próprio conteúdo: por que o humor? Das oito pessoas que compunham o grupo fixo, nunca tivemos nenhum humorista. Zero comediantes. Pegamos o barco errado. Tentando surfar uma onda que não era a nossa, fomos desgostando do trabalho, nos achando tolos, perdendo o ímpeto criativo. E agora, José? Mais de 30.000 inscritos no canal, mais de 40 vídeos lançados, um público pequeno - mas fiel - para agradar. E aquela pergunta na cabeça: por que o humor?? Aí (suspiros...) mudamos! Somos do cinema. Queremos experimentar a linguagem. E a internet é democrática. Lança quem quer, assiste quem se interessa. 100% livres de interesses econômicos de patrocinadores e terceiros, pudemos optar pelo caminho mais prazeroso - e também mais tortuoso. De lá pra cá, o público chiou, estranhou, repeliu... Alguns cancelaram a assinatura do canal, outros tantos se aproximaram. E os comentários pularam de kkk e hehehe para coisas do gênero: é... vocês deixam coisas pra pensar. Oba! Percebemos que escondidos em algum cyberlugar, existe um público que se interessa por este tipo de conteúdo. É verdade que nosso crescimento, agora, é bem mais lento. Beiramos os 40.000 inscritos e os vídeos tem uma média de 10.000 acessos na primeira semana. Nosso público está mudando. Aumentamos o percentual de mulheres e a faixa etária dos espectadores também aumentou. Apostamos em um conteúdo adulto, reflexivo, diferente dos canais brasileiros que já alcançaram o sucesso. E assim continuamos. Persistentes e esperançosos. Sem patrocínio, sem divulgação, sem apoio financeiro de nenhum tipo. Mas com engajamento e realização. Se o Youtube é uma janela independente e gratuita, e se há público para todos os formatos, então estamos nos propondo a experimentar um novo caminho. Nada impede que o tempo nos faça voltar atrás ou que as agruras do percurso nos façam desistir. Mas, por ora, estamos felizes. Diversificando o conteúdo e o olhar. Afinal, por que o humor? E por que não?


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Flávia Prosdocimi
Atriz, produtora e roteirista, graduou-se em Teatro pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2007. Em 2008 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde fundou a produtora Pingo na Pia. Desde 2012, escreve e atua nos vídeos lançados pela Pingo em seu canal do Youtube (www.youtube.com/pingonapia). Trabalha também como produtora na MPC Filmes.

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