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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
06-12-13
COLUNISTA CONVIDADO - Domingos Oliveira


"paixão e acaso"

Quando você se apaixona por um ou por outro, isso parece ser um acaso. De todas as mulheres do mundo, qual será aquela da sua vida? E por que não a outra? Acaso? Afinal, o quê que uns olhos têm que os outros não têm? Ou é a roleta amorosa de cupido que, girando sua roda, transforma o destino de cada um? Terá alguma lógica este jogo? Enfim, quais são as relações íntimas entre a paixão e o acaso?

O deus do amor é Eros. O deus do acaso é bem menos conhecido, chama-se Tique. E as teogonias a considerá-lo o deus do acaso, filho do próprio Zeus, aquele que roubou o fogo e deu aos homens, Prometeu.

Portanto, linhagem nobre.

A filosofia ocidental desprezou sempre o acaso, dando-lhe um lugar de segunda importância.

Woody Allen, o pensador moderno do cinema, recolocou em um dos seus mais recentes filmes a questão em primeiro plano. Em “Match Point”, seu filme inglês, o acaso é o Destino. O rei que, divertindo-se e sem declarar razões, define os caminhos dos homens. Quando Allen colocou isso na discussão dos bares, muita gente notou que Tique, o acaso, tinha sofrido um evidente upgrade nas preocupações modernas. O acaso parece hoje tão presente na guerra quanto nos negócios ou no amor. O mundo que chamamos nosso está cada vez mais aleatório.

Também há 2.500 anos atrás, o Rei Édipo mata por acaso seu pai, com desastrosas consequências. Numa comédia, que é o meu caso e o de Allen, o acaso é o rei da trama.

Quando o acaso é forçado pelo diretor ou autor, não passa de uma coincidência inverossímil. Porém quando suas ordens surgem acima da explicação com as palavras, e os acontecimentos não poderiam ser de outro modo... aí temos Molière, Woody Allen, Chaplin e tantos outros.

Em “Paixão e Acaso” tento ingressar no citado ilustre material. Veja que interessante: Uma mulher que nunca apaixona, de repente fica apaixonada por um homem mais moço e logo depois por outro mais velho. O acaso quer. Somente o espectador sabe que estes dois homens são, por acaso, pai e filho (Pedro Furtado e Aderbal Freire-Filho). Pareceu ao autor que a protagonista da trama rara (Vanessa Gerbelli) devesse ser uma psicanalista, com pacientes em crise, posto que a razão combate aquilo que não explica.

Não percam. Aproveitem o fato de ambos os filmes serem exibidos simultaneamente. Da comparação virá certamente curiosas conclusões. São dois filmes engraçadíssimos e plenos de humanidade. Viva o cinema!


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Domingos Oliveira
Ator, dramaturgo e cineasta brasileiro. Seu primeiro longa-metragem, intitulado Todas as mulheres do mundo, foi realizada em 1966, sendo já autor de mais de 20 peças teatrais e tendo dirigido vários filmes.

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