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Assista aqui o último programa na íntegra!
Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
30-10-13
COLUNISTA CONVIDADO - Tiago Belotti


A Morte do Faroeste

Alguns gêneros cinematográficos morreram. Todos os possíveis arcos narrativos, clichês e estereótipos de um bom faroeste foram explorados até o limite nos anos 50, 60 e 70. Com a exceção de Unforgiven (1992) e Tombstone (1993), o gênero tornou-se obsoleto há quarenta anos. Dos anos 90 pra cá, tivemos Back to the Future 3 (1990); Wyatt Earp (1994), que é chato; Appaloosa (2008), que é no máximo mediano; além de 3:10 to Yuma (2007) e True Grit (2010), que são bons, mas não contam (são remakes). Não há mais o que contar no universo do western. Honestamente, não sei se isso é algo bom ou ruim, só sei que incluir CGI no gênero NÃo é uma boa ideia (Cowboys & Aliens que o diga).

O mesmo aconteceu com os slashers. O gênero morreu nos anos 80. Alguns filmes mais recentes dessa linha tiveram sucesso por desconstruírem o gênero, como Scream (1995), Behind the Mask: The Rise of Leslie Vernon (2006) e The Cabin in the Woods (2011 que não é beeeem um slasher). Mas o clássico slapstick gore slasher parou com Michael Myers, Freddy, Jason e seus clones.

A onda de remakes de slashers (e outros gêneros) dos anos 80 é a mais deprimente que a acompanhei nos meus mais de 20 anos como cinéfilo. Tomara que parem logo com isso.

Eu lembro quando Karate Kid era sobre um garoto aprendendo karatê com um velhinho bem gente boa para livrar-se do bullying que sofria na escola. Hoje virou o filme mais nepotista de todos os tempos sobre um moleque arrogante e antipático que não sabe atuar e aprende KUNG FU num filme chamado The Karate Kid.

Lembro da época em que o Dalton dizia coisas como "pain don't hurt" quando não estava ocupado dando porrada em capangas malvados para livrar o bar Double Douce de maus elementos. Hoje temos Vin Diesel dirigindo carros e destruindo tudo em seu caminho editado de uma forma que só pode ser classificada com poluição visual.

Die Hard era legal, White House Down é uma piada.

Houve uma época em que vampiros eram predadores perigosos feiosos e sanguinários. Hoje eles brilham no sol, jogam baseball e frequentam o ensino médio.

Estamos na era do CGI, que é empolgante visualmente, mas está criando apenas filmes esquecíveis (alguém se lembra de Avatar?).

Os clássicos estão morrendo, e essa geração nada está fazendo para criar filmes que vão divertir gerações futuras. É tudo esquecido em 15 minutos.

Saudades da época em que Tom Savini fazia gore usando maquiagem de verdade; zumbis eram lentos, azuis e interpretados por humanos; westerns eram relevantes, e os slashers tinham pelo menos uma cena gratuita de peitinhos.


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Tiago Belotti
O cineasta, roteirista e crítico, Tiago Belotti, realizou nove curtas e o longa metragem “A capital dos mortos”. Um filme independente sobre uma invasão de zumbis em Brasília. Belotti possui uma página no facebook chamada “Meus Dois Centavos”, onde escreve sobre cinema, literatura e Games.

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