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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
21-08-13
COLUNISTA CONVIDADO - Daniel Moreno


Pandemônia

Uma produção como “Pandemônia” pode ser considerada um exemplo típico de produção independente, mas a principal questão envolvida em sua realização – como tirar o máximo do orçamento num determinado tempo de filmagem – é, na verdade, um desafio que assombra qualquer cineasta em qualquer época ou cinematografia. Não seria exagero, por exemplo, dizer que a moeda mais valiosa da Sétima Arte é o tempo: tempo para preparar os atores, tempo para encenar na locação, tempo para ajustar a luz e – especialmente, como talvez dissesse Stanley Kubrick - tempo para repetir e repetir as tomadas até esgotar todas as possibilidades. E como tempo corresponde a dinheiro – na vida e no set – é preciso fazer render o tempo (quanto menos dinheiro, mais ele será valioso).

Em primeiro lugar, o tempo das pessoas envolvidas não pode ser desperdiçado: técnicos têm outros jobs e atores dividem-se entre testes e comerciais. Quando tais profissionais estão mobilizados, é dever da produção e da direção fazer com que o período seja produtivo (apesar de todo mundo estar cansado de saber que filmar é, muitas vezes, sinônimo de esperar, tanto num blockbuster quanto numa produção de baixíssimo orçamento).

Em segundo lugar, pensando mais especificamente no ofício do diretor, é importante converter o máximo de tempo de filmagem em metragem utilizável na tela (no resultado final). Ou seja: limitado pelo orçamento e pela agenda, o cineasta precisa fazer com que sua decupagem trabalhe a favor da montagem – sem desperdiçar muito material nem ficar “experimentando” onde um bom e velho plano médio resolveria o problema.

Dois erros de conceito que assombram sempre que uma equipe de filmagem prepara uma produção de baixo orçamento ou com período de trabalho muito reduzido são sobrevalorizar as diárias e confiar excessivamente no chamado “plano-sequência”. O primeiro erro remete às origens da indústria numa estimativa curiosa: há quase 100 anos, uma conta garantida para a filmagem é considerar oito horas de trabalho rendendo entre 10 a um máximo de 20 posições diferentes de câmera (considerando a filmagem com apenas um equipamento rodando).

Planejar “50” enquadramentos para uma diária comum de filmagem é arriscar não chegar nem à metade e acabar sintetizando montagens complexas em redundantes planos-sequências – o que nos remete ao segundo erro. Nem sempre reduzir uma cena a apenas um plano é garantia de economia de tempo: tal escolha depende fundamentalmente da complexidade envolvida em tal plano – se ele demanda muito ensaio, correções de foco e marcações complicadas para os atores em quadro, filmar sem cortes uma cena inteira pode se mostrar muito mais demorado (e, portanto, caro) que optar pelo plano/contraplano tradicional, com duas posições de câmera e luz fixas. Vale a pena pensar em tudo isso antes de ir para o set de filmagem, especialmente quando seu orçamento – bem, não é aquela centena de milhão de dólares que seu roteiro merecia e a equipe estava esperando...


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Daniel Moreno
Diretor do longa-metragem “Pandemônia”, paulistano e formado em Cinema e Vídeo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

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