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Assista aqui o último programa na íntegra!
Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
08-08-13
COLUNISTA CONVIDADO - Rodrigo Bittencourt


"acendendo a luz"

Quando eu ainda era um menino pensava em ser artista, mas sempre parei na frente de um muro chamado "mercado". Nesse muro eu via muitas prateleiras.

Música, teatro, dança, literatura, poesia, artes plásticas.. Conforme eu ia fuçando apaixonado as prateleiras, encontrava subdivisões. Musica: cantor? Cantor e compositor? só compositor? Instrumentista?... Teatro: Trilheiro, ator, diretor de arte... E assim eu ia abrindo as subdivisões e abrindo e abrindo e pensava: Porque eu não posso ser tudo de uma vez? Porque um artista tem que aceitar rótulos e entrar em gavetas? Eu não queria morar em gavetas, eu não quero morar em gavetas, eu não vou morar em gavetas. Assim, parti para estudar música, cantar, escrever, tocar... E assim parti para estudar teatro, entender de luz, entender do palco, ser ator, fazer trilhas e assim fui fazer literatura: lançar livro infantil, lançar romance adulto, "Esmalte vermelho" (que agora vira filme!), escrever poemas... E assim fui estudar filosofia e assim fui dançar da minha própria maneira pela vida. Eu queria tudo ao mesmo tempo e ninguém entendia. Hoje em dia existe um movimento em N.Y chamado "Slash generation"; musico\cantor\compositor\poeta\diretor. Opa! Diretor? De que? Cinema? Existe essa gaveta? Ela estava lá e eu não havia visto.

Quando parei na frente do muro novamente, percebi que a gaveta estava lá e quando eu a vi, uma luz muito forte me cegou. Quando finalmente eu consegui enxergar, já não vi mais nada como antes. Me enfiei dentro da gaveta e fui fuçar tudo que tinha dentro; cinema de todos os tipos, autores de todos os estilos. Quando eu saí da gaveta não existia mais muro e eu olhei o mundo novo a minha volta, a minha frente. Não era mais o mesmo mundo, não tinha mais parede e eu podia fazer o que eu quisesse! Então quer dizer que aqui eu posso escrever como na literatura? Então quer dizer que eu posso sentir como na poesia? Que eu posso tocar como na música? Que eu posso pensar nos figurinos? Então quer dizer que eu posso criar outros mundos???

Que lindo isso! Então estou eu aqui mais uma vez escrevendo para a revista do cinema Brasileiro e para dizer que todas as coisas tem luz e que graças ao cinema eu aprendi a ver a luz das coisas. Cinema para mim é sempre acender a luz!


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Rodrigo Bittencourt
Diretor e roteirista, cantor e compositor, romancista e poeta. Seu primeiro longa, "Totalmente inocentes" foi a sétima maior bilheteria entre filmes brasileiros em 2012. Tem três projetos novos de cinema em andamento: "Esmalte vermelho", "Elas por elas" e "Estúpido cupido" que roda no começo de 2014. Dirigiu programas de tv, atuou em peças, fez trilhas para teatro e para o cinema, lançou três discos em sua carreira solo e foi gravado por Maria Rita, Fagner, Maria Gadu e Thais Gullin.

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