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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
25-10-12
COLUNISTA CONVIDADO - Vanessa Hassegawa


ScreenChoreography: Quando o Cinema e a Videodança se encontraram*.

Costumo dizer que a costurei uma câmera nos meus antigos tutus de dança e sai andando. Há 10 anos longe da dança clássica, me enxergo hoje no caminho da dança para vídeo e é sobre essa relação que tentarei falar daqui adiante.

Cinema, Dança e Videodança? Acredito que sejam linguagens distintas, e que muitas vezes se refundem em uma só dramaturgia. Em linhas gerais pode-se dizer que a Dança no Cinema configura-se ao registro coreográfico. Já a Videodança tem a sua partitura pensada exclusivamente para um espaço, corpo, movimento,câmera e roteiro.

Mas não é sobre essas fronteiras de gênero que pretendo escrever, principalmente numa era em que as linguagens de arte têm se misturado a muitos olhares e expressões. Tomo como exemplo o trabalho figuras icônicas que refundiram linguagens, como o cineasta Wim Wenders e seu documentário Pina, os coreógrafos PhillippeDecouflé eMerceCunnighann**e as produções de dança e vídeo feitas em palco, e a norte americana Loïe Fuller, coreógrafa e bailarina que em meados de 1910 arriscou-se na investigação profunda da dança, luz e cinema.

Os tais ScreenChoreography ou danças concebidas para as telas significam a relação de suportes entre o corpo e o vídeo,arquitetados sob um universo de possibilidades de dramaturgia. Entre os filmes destaco: O Baile, do diretor italiano Ettore Scola, a dança se apresenta sob um olhar muito delicado e mostraa transição dos corpos na dança dos anos 1930 a 1980. O enredo valoriza um período histórico da França através desses corpos percebidos em seucomportamento, relações e gesto, sem contar que os arquétipos das personagens muitas vezes se aproximam das imagens reais de um salão de dança.
Sem diálogos, O Bailese assegura numa verdadeira profusão de linguagem corporal pontuadas no tempo e espaço que lhe coube transmitir.

Outro é o diretor Carlos Saura,e sua trilogia dedicada ao Flamenco: Carmen, Amor Bruxo e Bodas de Sangue. Este último mesmo gravado em uma sala de dança, a câmera em nenhum momento se comporta como antagonista, ela é, sobretudo uma personagem que conduz e “passeia” pelos corpos, traduzindo um espetáculo impossível de ser captado a olhos nus.

Por fim acredito que há muitos momentos célebres da dança no cinema, mas só algumas obras fazem as vezes de um Videodança. Obras, que ascendem uma produção específica, não de efeito de dança, mas tendo a dança e o vídeo como autores daquele espetáculo.

Como bailarina, curiosa e observadora tenho o desafio diário detentar traduzir essas linguagens e na Era dos palcos-internet,rotular pode ser um deslize. Dessa forma alinhavei essa câmera às minhas saias de tule, para dialogar com Arte e não “pregar” uma etiqueta em meu palco e assim, eu sigo andando.

* Tema inspirado na obra de Maíra Spanghero, em seu livro A Dança dos Encéfalos Acesos. Publicado por meio do Edital Rumos Itaú Cultural Transmídia, em 2003.

** A Companhia Merce Cunningham Dance Company continua o legado do coreógrafo norte american, morto em 2009.


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Vanessa Hassegawa
É jornalista formada pela Unama, Pós-Graduada em Artes Cênicas pela FPA. Como bailarina já estudou na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e participou de vários festivais de dança pelo país. É paraense de alma, mas mora em São Paulo por paixão. Ama o urbano e a pluralidade de coisas, pessoas e texturas... Nuances estas que investiga no recém-criado Coletivo Las Caboclas.

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