Quartas, às 24h, na TV Brasil
(Canal 2, 18 NET, 166 SKY)
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Assista aqui o último programa na íntegra!
Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
04-10-12
COLUNISTA CONVIDADO - Isa Grinspum Ferraz


Potência e poesia

Como registro, invenção ou provocação, o potencial da imagem é enorme. Num Brasil mestiço, diverso e vivaz, de matrizes milenares e olhos sempre voltados para o futuro, o campo para a criação audiovisual é muito vasto, e a produção, rica.

Aqui convivem em um mesmo tempo e espaço modos de pensar e de sentir que pertencem a tempos e espaços muito dessemelhantes. Gestos e técnicas do século XXI conversam com resquícios do mundo pré-cabralino, e povos e culturas diversos seguem misturando seus genes e signos em um terreno aberto às contribuições da diferença e às recriações do novo.

Em um documentário ou em um filme de ficção criado hoje, com as tecnologias disponíveis, o arcaico e o contemporâneo, o distante e o próximo podem conversar com grande liberdade, sem que percam o seu valor artístico, sua beleza ou seu significado. Novas e surpreendentes combinações de elementos - mesmo muito antigos, já conhecidos ou aparentemente desimportantes - podem fazê-los ganhar novos significados.

Fatos e mitos, o que é popular e o que é erudito podem ser postos lado a lado, e à disposição de todos. Músicas, falas e ruídos podem alterar todos os sentidos; grafismos e as mais modernas técnicas de animação podem surpreender e iluminar objetos e situações... Enfim, são recursos próprios do meio e que combinam bem com o multifacetado Brasil.

Com essa linguagem não linear nem hierarquizada - algo como um “pensamento se construindo” -, podemos tratar da nossa complexidade. De maneira simples, mas sem simplificações; com consistência, mas sem austeridade; com profundidade, mas com o frescor e o despojamento necessários para criar lugares de prazer e pensamento verdadeiramente democráticos e universais, podemos conectar sentidos, emoções e intelecto e retratar esse país mutante.

A linguagem audiovisual tem forte apelo na tradição brasileira. O rádio integrou o Brasil no início do século XX; a televisão tem educado – e também deseducado – várias gerações. Mais recentemente, o mundo virtual tem mudado o modo de pensar, viver e criar de um número crescente de pessoas. São milhões de possibilidades e recursos de escrita e de leitura, através dos quais se pode recuperar o passado e reinventar o presente. Aqui a cultura pode ser tratada com seriedade e dignidade, sem concessões nem tolices, respeitando a sensibilidade e a inteligência de todas as pessoas, cada qual com experiência singular, fruto de seu repertório pessoal.

No que tem de potência e poesia, no que é democrática e faz pensar, a linguagem audiovisual pode, quem sabe, contribuir para tornar a vida por aqui mais conversável.


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Isa Grinspum Ferraz
Formada em Ciências Sociais na USP, é roteirista e documentarista. Foi colaboradora de Lina Bo Bardi e, por 13 anos, de Darcy Ribeiro. Na área audiovisual, realizou a premiada série O Povo Brasileiro – dez documentários baseados em obra de Darcy Ribeiro – exibida no GNT e na TV Cultura, e as séries Intérpretes do Brasil e O valor do amanhã, essa última exibida pela Rede Globo. Acaba de realizar o longa-metragem documental "Marighella". Coordenou a criação de conteúdos e roteiros do Museu da Língua Portuguesa, em SP, entre outros. Atualmente, dirige a criação do Cais do Sertão Luiz Gonzaga, museu interativo em Recife.

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