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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
26-09-12
COLUNISTA CONVIDADO - SANDRA ALVES


Liberdades e Clausuras de Rendas no Ar

Refletir sobre liberdades e clausuras significava vasculhar as gavetas do inconsciente humano e tentar descobrir o que nos leva a fazer escolhas. O que nos move a alçar voos rumo ao desconhecido, à liberdade, e o que nos faz paralisar perpetuando a clausura interior.

Pra mim estava claro que a espacialidade era determinante para o enredo, estética e poética do filme, principalmente tratando-se de uma estória vivida no final do século XIX – um tempo não literal, onde estaríamos recriando o imaginário, interno e externo, daquela época. E o lugar escolhido foi a Fortaleza de Santa Cruz, com edificações do século XVIII, localizada na Ilha de Anhatomirim. A arquitetura se transformara num personagem onipresente da trama, as texturas das paredes úmidas, esverdeadas do mofo, os grandes arcos, a luz e sombra desenhadas pelas aberturas, o entorno oceânico, enfim, o Espaço contribuiu para a narrativa desse Tempo, fragmentado, destoado, poetizado, desvairado, mítico e místico de Rendas no Ar. Em si, a ilha já conotava à irreverente e indomável personagem Ana a sensação de estar ilhada, isolada, enclausurada. E lá, considerada doente e louca, ela encontrara a sanidade na poesia e na relação com a figura etérea de Lilith.

O processo de criação do filme foi muito livre. A Usina da Alegria Planetária, associada do longa e responsável pela direção de arte, ganhou autonomia total pra conceber os figurinos, objetos e cenografia. A referência principal foi de que os espaços do universo Rendas no Ar poderiam ser ocupados em forma de instalações. Apresentamos à UFSC/Projeto Fortalezas, administradores da Ilha e apoiadores do filme, um memorial descritivo indicando a forma de ocupação das edificações, respeitando os critérios de preservação do patrimônio. Os figurinos criados com reutilização de materiais trouxeram à cena uma beleza única e os resultados a meu ver ficaram ótimos.

O elenco e a fotografia ganharam igual liberdade, pois acredito ser um privilégio poder receber as contribuições artísticas desses artistas. Seria um desperdício negar esse compartilhamento.

Claro que quanto mais liberdade, maior o risco, mas tudo isso me interessa, porque acredito que o filme será o “resultado do processo” experienciado na feitura da realização. Digo que é um filme feito a mão, artesanal.

A etapa de filmagem foi extremamente complexa, de logística difícil e demorada, pois nos deslocávamos de barco diariamente para a ilha, enfrentando as intempéries climáticas, que inclusive foram incorporados ao roteiro, pois a chuva e o vento eram tão frequentes que foi impossível disfarçá-los.

Sou profundamente grata pela coragem, força e contribuição de toda a equipe. Axé!

“ A liberdade não chega automaticamente:
é conquistada. E não de uma só vez;
precisa ser conseguida dia a dia.
É como Goethe diz na lição final aprendida por Fausto:
‘ Sim!

A esta idéia atenho-me com firme persistência:
Conquista a existência e a liberdade
somente quem todo dia a reconquista’.”

Rollo May em O Homem À Procura de Si Mesmo


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SANDRA ALVES
Idealizadora e diretora geral da VAGALUZES FILMES. Multiartista, envolve-se no processo completo da realização audiovisual atuando em diferentes departamentos, desde a concepção dos projetos, direção, fotografia, produção, roteiro, montagem e finalização das obras. Sandra é diretora do longa "Rendas no Ar", do média "L'AMAR", e do longa doc "Percepção de Risco, A Descoberta de Um Novo Olhar”.

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