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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
29-08-12
COLUNISTA CONVIDADO - Paulo Roscio


Rádio Nacional: O maior veículo de comunicação de massa de todos os tempos!

Num sábado à noite, em setembro de 1936, entrava no ar a PRE-8, Rádio Nacional do Rio de Janeiro, emissora de rádio do jornal “A Noite”, que havia sido fundado por Irineu Marinho. Nessa época, o jornal já pertencia a um americano, pois Marinho vendeu sua parte para fundar “O Globo”. A Rádio Nacional estava há anos no papel, mas não conseguia ser viabilizada. Sua inauguração com grande pompa e algumas estrelas não se tornou uma realidade, pois seus transmissores, de potência limitada, não cobriam totalmente a região metropolitana do Rio. O proprietário americano perdeu o interesse em investir no Brasil e abandonou as empresas do grupo à própria sorte.

Num período de tensão política no mundo, uma guerra era iminente e Getúlio Vargas sabia da importância de um porta-voz que ecoasse mundialmente, como a BBC ou a Voz da América. No início de 1940 surgiu a oportunidade de incorporar a Rádio Nacional ao patrimônio da União. Assim iniciou a história do maior veículo de comunicação de massa de toda a história. Já em 1942 a Nacional transmitia, por ondas curtas, em quatro direções estratégicas, em português, inglês, espanhol, francês e italiano atingindo toda a América, Europa, África e Ásia. A resposta foi imediata e cartas de todo o mundo começaram a chegar ao prédio de “A Noite”, na Praça Mauá, que era o primeiro arranha-céu da América Latina. O volume de cartas era tão grande que foi necessário estruturar um “departamento de correspondência” para digerir todo aquele retorno.

A Rádio tinha cerca de 700 contratados. Centenas de cantores, jornalistas, músicos, atores e maestros. Eram cinco orquestras, além de um quinteto e um regional. Radamés Gnatali e seus arranjos inspiraram a bossa nova e até a turma da jovem guarda sonhava em cantar na Nacional. Eron Domingues criou o radio jornalismo e o Repórter Esso era sinônimo de notícia, pois o povo só acreditou no fim da guerra quando ouviu a notícia no Repórter Esso, testemunha ocular na notícia. Manoel Barcelos, Cesar de Alencar e Paulo Gracindo animavam os auditórios, as novelas chegaram a 15 por dia e Almirante, a maior patente do rádio, inventava o programa produzido. O Guaraná Antártica e a Coca Cola foram lançados por um único e eficaz veículo de mídia: A Rádio Nacional.

Cauby tinha suas roupas rasgadas pelas fãs que desmaiavam no auditório. Emilinha e Marlene disputavam o título de Rainha do Rádio e Ademir Menezes, jogador do Vasco, teve quase 8 milhões de votos no concurso de melhor jogador de futebol do Brasil, em 1951. Um ano antes Getúlio Vargas se elegeu Presidente da República com pouco mais de 2 milhões de votos. A soberania da Nacional era incontestável, sua influência na formação cultural do povo brasileiro também. Estrangeiros aprendiam a falar a língua portuguesa ouvindo as novelas e os brasileiros tiveram a unificação de seu idioma graças a Rádio Nacional. Chegou a televisão e a Nacional, apesar de estar com todos os equipamentos e equipe prontos para ter sua emissora, não conseguiu emplacar a TV Nacional. Segundo reza a lenda, Assis Chateaubriand teria “tido uma conversinha” com JK e abortado a ameaça aos Diários Associados. Nem isso abalou a audiência da Nacional, que ainda era superior a da TV.

31 de março de 1964: A revolução militar invade a Rádio Nacional e afasta 66 profissionais com a acusação de subversão. Mário Lago, Gerdal dos Santos, Dias Gomes, Paulo Gracindo e vários outros colegas foram expurgados sumariamente sem direito de defesa. Os militares precisavam provar aos brasileiros que a revolução era “prá valer” e numa tática de guerrilha decidiram “acabar” com a Rádio Nacional. Não poderiam fechá-la nem tirá-la do ar, o que causaria uma contrarrevolução, mas afastaram seus principais nomes dos microfones. Desde então a Nacional respira na UTI e resiste culturalmente até nossos dias.

Todo esse capítulo da história de nossa cultura está no documentário “Rádio Nacional”. Produção da Business Television e Distribuição da Viabiliza. O site do filme é www.radionacionalofilme.com.br.


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Paulo Roscio
Engenheiro Eletrônico com MBA em E-commerce e TV & Film Business pela FGV, Radialista, Documentarista, Diretor, Produtor e Roteirista de audiovisuais. Presidente da Associação Cultural do Recreio. Professor da cadeira de Direção e Produção de vídeo do MBA de TV Digital da UFF. Trabalhou na TV Educativa, Rede Globo, ECT e Embratel. Foi presidente da Quadrata Engenharia por 12 anos, tendo vendido a empresa para o grupo France Telecom em 1995. Recebeu três prêmios de Destaque do Ano em 92/93/94. Fez a Produção Executiva de shows da Orquestra Tabajara, dos documentários “Orquestra Tabajara” e “Heróis de uma Nação”, dirigiu, roteirizou e produziu os documentários “Geração de Prata”, “Larissa e Juliana”, “Geração de Técnicos”, “A Elegância do Samba”, “Zico na Rede”, “O Último dos Moicanos”, “De Mãos Dadas” e “Rádio Nacional”. “Zico na Rede” foi eleito um dos oito “Melhores Documentários Iberoamericanos de 2009” em Huelva, Espanha.

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