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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
17-08-12
COLUNISTA CONVIDADO - Bruno R. Modolo


TÉCNICAS DE ROTEIRO

Muita gente reclama dos livros de roteiro que ensinam técnicas e supostas fórmulas.
Dizem que seriam padrões de Hollywood para filmes comerciais, que não se aplicam em filmes
de arte e que engessam o roteirista na hora de escrever.

Na verdade, não é bem isso que essas técnicas de roteiro fazem. Se olharmos para a
música, por exemplo, encontraremos uma série de técnicas e outros conceitos que acabam
conduzindo você a fazer de um jeito e não de outro. Isso não é padrão para seguir, faz parte da
arte. Cantar no tom, arranjar as notas de forma bonita, manter a melodia e por aí vai. Se o músico
misturar as notas de qualquer jeito, mudar o tom no meio da música, o som será uma porcaria.
Até o jazz, que pode ser improvisado, tem suas técnicas. Nenhum jazzista toca aleatório,
ele sempre improvisa em cima de uma batida. Por outro lado, não basta só saber de
técnicas musicais para virar um grande músico. Um bom músico precisa estudar muito, praticar
muito e exigir muito da sua capacidade. Se as técnicas musicais não engessam e também não
criam grandes músicos, onde está o segredo para compor obras primas? O segredo está em
usar essas técnicas para expressar a arte que vem da alma.

Voltando para o roteiro, essas técnicas que apontam plots e viradas, composição de
personagem e outras, ajudam a escrever um filme da melhor maneira possível. Desde sempre,
o homem conta histórias com começo, meio e fim. Não importa se a ordem não for bem essa,
mas qualquer pessoa precisa ver o começo, o meio e o fim para entender a história. E precisa
entender o personagem para torcer por ele. Quando perdemos o começo de uma explicação,
ficamos sem entender o que é dito. Tem uma frase que expressa bem essa situação: perdi o fio
da meada.

As técnicas de roteiro não engessam ninguém, não roubam a criatividade, nem transformam
o filme em comercial. Simplesmente ajudam a conduzir a linha narrativa para o público
entender o filme. Os grandes filmes de arte, por mais confusos que possam ser, tem um
começo, um meio e um fim bem organizados e personagens bem desenvolvidos. E se fizermos
um estudo em cima dos roteiros desses filmes de arte, poderemos apontar claramente
os tais plots e viradas que só deveriam aparecer nos filmes comerciais.

Portanto, é bom estudar as técnicas de roteiro, aprender bem, ensaiar bem para escrever
histórias que o público goste. Independente se a intenção for escrever um blockbuster
ou um filme cabeça. Use essas técnicas para deixar sua alma falar e ser compreendida.


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Bruno R. Modolo
Iniciou a carreira fazendo pesquisa para o roteiro do documentário Coração Vagabundo, sobre Caetano Veloso. Depois escreveu alguns programas para a MTV, Rede Globo, os filmes Decisão de Risco e Back Home, em pré-produção, e integrou a equipe de roteiristas do documentário Quebrando o Tabu. Hoje comanda a Garoa Fina, uma empresa dedicada a criação e desenvolvimento de histórias e roteiros.

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