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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
24/04/10
COLUNISTA CONVIDADO - Marco Altberg


O desafio de novas mídias na produção audiovisual

Como os produtores tradicionais, de cinema e Tv, vem encarando o advento das chamadas Novas Mídias - internet, telefonia móvel e games? Em um primeiro momento, é natural a descrença ou pouco caso que é dispensado à essa novidade no mercado (que hoje já faz parte da atividade audiovisual). Talvez pelo fato das chamadas Novas Mídias dialogarem intensamente com aspectos tecnológicos, que remetem a formatos e suportes, em detrimento à tendência das mídias tradicionais estarem mais voltadas ao conteúdo. Mas essa afirmação, num segundo momento, não se sustenta, de nada valendo a tecnologia e os novos formatos se bons conteúdos não forem apresentados.

Outro fator importante é o fato das Novas Mídias serem acessíveis a um universo maior de pessoas na criação e difusão de conteúdos. A internet e a convergência digital possibilitam, cada vez mais, que muitas pessoas - não necessariamente profissionais da área audiovisual ou mesmo de comunicação - possam se expressar criativamente. E, dependendo da repercussão na rede, são criados modelos de negócio.

O grande desafio das chamadas Novas Mídias é a perspectiva da criação de modelos de negócio, ou seja, a comercialização e rendimento financeiro desses conteúdos. Mas como parece ser tudo nesse novo mundo, os negócios tendem a ser indiretos e, na maioria das vezes, não significam remuneração financeira. Na verdade, as chamadas Novas Mídias tem sido utilizadas como poderoso e eficaz instrumento de divulgação e comunicação de produtos, incluindo os audiovisuais. Filmes de cinema, programas e comerciais de Tv vem trabalhando fortemente suas estratégias de comunicação nessas mídias.

As Novas Mídias estão para a tv, hoje, como a tv esteve no passado para o cinema. Os canais de tv se queixam que vem perdendo audiência para as Novas Mídias, sobretudo para a internet e especialmente a audiência jovem. O cinema não morreu com a criação da tv, assim como a tv não morrerá a partir da entrada em cena das Novas Mídias. Mas muita coisa mudou e certamente a tv terá que correr atrás (e já está fazendo isso), para incorporar as Novas Mídias de forma criativa, ao invés de lutar contra as evidências. Não se concebe mais uma programação de tv sem desdobramento na internet ou mesmo em celulares.

E assim também deve ocorrer com os produtores de conteúdos audiovisuais. Já existe uma legião de pessoas produzindo para as Novas Mídias e, como uma epidemia, o conteúdo de alguma forma relevante, se alastra - daí a expressão "viral". Os diferentes canais à disposição na internet vem se sofisticando, com a possibilidade de interação nos celulares. A garotada não se limita aos jogos eletrônicos lacrados, de marcas; tem preferido aqueles games na rede, onde a interatividade impera, acrescida de relacionamento.

É uma receita imbatível: conteúdo e entretenimento grátis, compartilhamento de informações, a possibilidade do usuário comum ser também autor, de exercer a sua expressão/criatividade, inclusão em diferentes redes de relacionamento - as chamadas redes sociais e de quebra os 5 segundos de fama e, quem sabe, faturar dinheiro ou alavancar carreiras.

Parece que finalmente estamos diante da tão anunciada revolução da comunicação pelos teóricos dos anos 60/70. E com ela veio a aparente falta de controle, seja autoral, seja comercial, sobre os produtos audiovisuais e o mercado. Aparente porque, lembrando a máxima, "se você não pode contra o inimigo, junte-se a ele". A atividade audiovisual deve saudar essa liberdade e essa "democratização" que as Novas Mídias trazem em seu bojo. E fazer uso delas a seu favor. Alguns governantes e políticos eleitos de uns anos para cá devem suas eleições à disseminação de redes na internet, contra opositores outrora poderosos, como a imprensa escrita e televisionada.

Ao longo do ano de 2008, tive a oportunidade de vivenciar uma maravilhosa experiência ao coordenar o Celucine, Festival de Micrometragens para mídia celular, em parceria com o Oi Futuro, centro de excelência propagador de arte e tecnologia patrocinado pela Oi. Recebemos mais de 600 filmes de micrometragem (entre 30 segundos e 3 minutos), de todos os cantos do País. Filmes com alta dose de criatividade e inovação, realizados por profissionais, semi-profissionais e amadores.

Pudemos também circular em diferentes Estados do Brasil, em Festivais e eventos de cinema e audiovisual, realizando worshops sobre as Novas Mídias, com palestras e oficinas e com a participação de jornalistas especializados, publicitários e realizadores com experiência na produção de conteúdo para as Novas Mídias. Sempre concorridos, esses workshops nos colocaram em contato direto com quem está à vontade nesse ambiente, entre eles, grupos de jovens de periferia que se mobilizam utilizando as Novas Mídias como veículo de expressão.

Pude perceber nesses encontros, que os produtores tradicionais de conteúdo ainda não atentaram para esse universo. Não acredito que os motivos sejam geracionais. Me considero um dinossauro, de última geração, é verdade, e no entanto reconheço enorme importância nas Novas Mídias. E não é só de jovens que as Novas Mídias se alimentam. Talvez aqueles profissionais que trabalhem mais voltados para a difusão e comercialização dos produtos audiovisuais estejam na trincheira dessa questão e por isso se sintam impelidos a encarar esse desafio.

Uma verdade: se o conteúdo é bom, não importa a mídia, desde que adequado a ela.


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Marco Altberg
Um dos mais ativos diretores em produção independente para tv, responsável pela direção de séries de ficção, séries documentais e programas educativos. Há 16 anos, está à frente da direção do programa Revista do Cinema Brasileiro.

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