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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
27-04-12
COLUNISTA CONVIDADO - Adailton Medeiros


O DIA QUE EDUARDO COUTINHO QUASE CANTOU

Todas as manhãs, logo assim que abro os olhos, agradeço a Deus pela vida, pela minha família, pelos meus amigos, mas, em especial, faço um agradecimento por ter me dado sabedoria para ter inventado o Ponto Cine, persistência para construí-lo e energia para agregar tanta gente bacana no projeto.

Aliás, o Ponto Cine passou a ser uma construção coletiva em permanente evolução. Começou comigo e teve continuidade com a formação da equipe, com a formação da plateia e, finalmente, com a participação dos nossos convidados: cineastas, atores e atrizes, educadores e pessoas comuns.

Criamos um mundo à parte, onde nos tornamos mais felizes e, consequentemente, contribuímos para tornar também mais felizes as vidas das pessoas que o frequentam. Prova disso foi a vinda do cineasta Eduardo Coutinho neste último sábado, 24/03, no Diálogos com Cinema.

Exibimos o filme “As Canções” para um cinema lotado, que cantava, junto com os anônimos entrevistados por Coutinho, as canções que marcaram suas vidas. Que cumplicidade… Quantas pessoas da plateia se viram ali naquela cadeira preta, aparentemente ímpar, sob o palco vazio projetado na tela.

Quantas lamentações, quantos “ais!”, quantos risos e quantos pitos nos personagens, quantas conversações com a tela e sequer uma repreensão, tanto do espectador ao lado, quanto de alguém lá do fundo da sala. Era cinema vivo, de verdade, e em todas as dimensões não artificiais possíveis.

Terminado o filme estavam lá para o debate: o mestre Eduardo Coutinho, de Cabra Marcado pra Morrer, Boca do Lixo, Edifício Master, Jogo de Cena, dentre outras obras monumentais; Sônia, uma mulher que foi abandonada pelo namorado na adolescência, mas que ainda sonha com o grande amor da sua juventude; Queimado, um morador do Chapadão, bem-sucedido no amor, pai de seis filhos, que encontrou um diferencial para mudar de vida como feirante; e Maria Aparecida, 70 anos, uma dona de casa de Guadalupe apaixonada pelo marido, que se tornou a maior estrela do Ponto Cine, após participar do filme de Coutinho. Ou seja, o Brasil estava ali para ser sabatinado, para falar de vida. A plateia estava no palco e o palco, na plateia. A cara do Ponto Cine.

Falar sobre o que rolou no debate seria desperdiçar esse espaço, já está no boca a boca e nas Redes Sociais.

O importante é evidenciar que a equipe do Ponto Cine conseguiu trazer Eduardo Coutinho para um debate em Guadalupe, às 10h da manhã – raridade para quem sabe dos hábitos de Coutinho, um notívago por natureza, que dispensa quaisquer atividades pelas manhãs -; que ele ficou mais de uma hora e meia no palco, sinal que o evento foi muito bom – quem o conhece sabe que não costuma ficar sem fumar muito tempo assim -; que teve todo um carinho ao atender ao nosso convite, pois além de está sendo homenageado com uma Mostra Especial no Festival É Tudo Verdade, com vários compromissos, tinha um maior que era o de dar o último adeus ao amigo Chico Anísio, que estava sendo velado no Teatro Municipal. O Diálogos com o Cinema de sábado, inclusive, foi dedicado ao grande humorista brasileiro.

Agradeço todos os dias por ter tido esta sacação de inventar um espaço tão digno e importante para o Cinema Brasileiro, onde eu posso conviver um pouco com meus ídolos e mestres e, ainda por cima, dividi-los com esse povo que escolheu o Ponto Cine como a sua segunda casa, local de ponto de encontro, lazer e entretenimento: a plateia mais bonita do Brasil.


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Adailton Medeiros
Fundador e Diretor do Cinema Ponto Cine – 1ª Sala Popular de Cinema Totalmente Digital do Brasil -, e único cinema no mundo a só exibir filmes brasileiros. Recebeu da Ancine – Agência Nacional de Cinema – o Prêmio Adicional de Renda em 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. E pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro o Prêmio de Estímulo à Exibição Cinematográfica, em 2009, 2010 e 2011.

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