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Assista aqui o último programa na íntegra!
Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
13-02-12
COLUNISTA CONVIDADO - Thereza Jessouroun


Coração do Samba

Depois de 10 anos do lançamento do meu documentário “SAMBA” (2001) sobre a dança do samba, que foi exibido em mais de 20 países, volto ao tema samba com um documentário sobre a orquestra que é a bateria da escola. E para falar de bateria, não podia ser outra escola a não ser a Mangueira, a mais tradicional de todas as escolas. Desfilei anos nessa escola, que é meu time de futebol. E, ao desfilar, tive a oportunidade de conhecer de perto, aspectos pouco divulgados pela mídia, como a tradição que passa de pai para filho, tanto na dança como na música, a paixão e entrega à escola de samba, o respeito aos mais velhos e aos mestres, a hierarquia, a disciplina, os passos do samba, diferentes entre passistas e mestres-sala, e muito mais. Samba não é apenas desfile na avenida, é um universo pleno, rico, feliz. É o mundo do samba.

“CORAÇÃO DO SAMBA” (72’) mostra as entranhas desta orquestra que pulsa sangue para toda a escola. O documentário é conduzido pelas lembranças apaixonadas de Elmo dos Santos, ex-presidente da Mangueira, filho de Mestre Tinguinha, fundador da primeira bateria mirim que se tem notícia. Seus relatos vão se contrapondo aos ensaios e desfiles de 2004 e 201, afinações dos naipes, encouramentos e manutenção de instrumentos. Minha equipe, que nunca foi maior que cinco pessoas, se emocionou com seu amor à Mangueira e à percussão. Tivemos o privilégio de filmar os ensaios fechados da única bateria que mantém a batida única do surdo, e que no último Carnaval arrebatou o público com a sua “paradona” de 20 segundos. Foi emocionante ver como ensaiam aquelas 300 pessoas, nos diferentes naipes, a mai oria sem formação musical alguma, e que, ainda assim, criam um dos sons mais exuberantes da música brasileira. Tocam porque nascem sabendo. Aprendem na quadra, desde pequeninos, vendo seus pais, irmãos, tios e padrinhos, tocando.

Cada documentário é uma lição de vida. Sou outra pessoa a cada novo documentário. Que sorte que eu tenho de poder viver daquilo que me dá mais prazer em fazer! Com este documentário, tive a oportunidade de mostrar a vocação dos brasileiros para a música e posso dizer que aprendi um pouco mais sobre o samba, e a gostar mais ainda deste nosso ritmo “único”. Tive a sorte de ter como co-editora, Marcela Amarante, que é ritmista da bateria da Mangueira, e que me ensinava os segredos: as subidas do samba, as bossas, a primeira e a segunda do samba, onde podíamos cortar e onde não podíamos, onde tínhamos que deixar o samba respirar, e aprendi a ver as diferenças entre as batidas do surdo de primeira, de segunda, e de terceira. Depois que o samba enredo é escolhido, os diretores de bateria, junto com a orquestra , começam seu trabalho de criação, enfeitando o samba com as “bossas” e as “paradinhas”. E o maestro vai, ali na frente, conduzindo os músicos com sua linguagem de sinais.

Tenho orgulho de ser brasileira, de ter na minha cidade, esses artistas maravilhosos que são nossos ritmistas das escolas de samba, e mais especialmente, os da nossa querida escola, a Estação Primeira de Mangueira, “a maior escola de samba do Planeta”!

Thereza Jessouroun, Janeiro de 2012


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Thereza Jessouroun
Começou sua atividade cinematográfica em filmes de ficção como fotógrafa de cena, continuísta e assistente de montagem. Foi produtora e assistente de documentaristas como Eduardo Coutinho, Silvio Tendler, Helena Solberg e Eduardo Escorel. Dirigiu os premiados documentários de média-metragem “Alma de Mulher”, “Samba”, “Os Arturos”, “Vida Severina”, “Fim do Silêncio” e de curta-metragem “Clarita”, “Manifesto” e “Dois Mundos”. Atualmente, prepara seu segundo longa-metragem, “Dezessete Anos Depois”.

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