Quartas, às 24h, na TV Brasil
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Assista aqui o último programa na íntegra!
Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
03-02-12
COLUNISTA CONVIDADO - Rodrigo Bittencourt


sem medo de arriscar

estamos vivendo dentro de uma bolha. a bolha da imagem. Dentro dela mora um monstro, um senhor chamado "politicamente correto". Não custa nada dizer isso, pra ver se a gente pega no tranco:
Não acredito que arte esteja ligada a ética de nenhuma maneira e tudo que estamos fazendo hoje em dia parece precisar passar por esse crivo do correto, como se existisse uma verdade absoluta pra se seguir partindo dele. O politicamente correto tem sido um senhor de bengalas engolidor de artistas que estão dentro da bolha. A bolha onde ele gosta mais de ficar é a da zona sul carioca, especificamente numa pequena comarca chamada Leblon. Ali existem um monte de artistas amarrados, que se juntam pra celebrar a bolha, mesmo os que estão começando suas carreiras. O medo de furar a bolha vem de cima, os produtores tem medo de arriscar, os distribuidores também, as gravadoras idem, o teatro acha que precisa seguir a tv, então somos controlados por esse senhor que mora na bolha. Falando especificamente de cinema, um dos grandes motivos de ainda não termos um cinema como o argentino, como todo mundo deseja, sei lá eu porque, é o medo de arriscar. Temos uma economia maior e mais potente, temos mais dinheiro e maior matéria prima, mas insistimos em não arriscar, insistimos em não furar a bolha. Não precisa ser um rombo enorme. bastam uns furinhos rsss.

Tenho visto no cinema diretores da minha geração e os de uma geração acima fazendo isso. É o caso de Gustavo Pizzi com Riscado, Mauro Lima com Reis e ratos, Afonso Poyart com seu Dois coelhos... Sem medo do pop, sem medo dessa amálgama que Jorge Mautner, com tanto talento, sempre repete por aí, estão dando o que falar. Somos um povo que adora misturar sem regras. Tentei, humildemente, afiar meu canivete em Totalmente Inocentes, filme que estreia nesse segundo semestre, sem pensar em regras, sem ter medo do pop, sem dialogar com o senhor de bengalas.

Continuo achando que não precisamos fazer cinema argentino coisa nenhuma. Essa historia de sempre jogar nosso olhar no pra fora, no outro, como se lá fosse o bacana e aqui fosse sempre ruim, É CAFONA! Precisamos parar como essa bobagem rapidinho. Temos o nosso cinema, fazemos bem o nosso cinema, só precisamos de um pouco mais de coragem pra sair da bolha. Todo mundo precisa, tem que começar lá de cima, dos produtores que estão lendo os projetos, dos distribuidores que topam ou não, dos diretores e roteiristas e fotógrafos e atores. Um movimento pelo risco. Em arte se você não arrisca não petisca. Exemplos não faltam. Na pintura a gente via Jackson Pollock cheio de problemas com Picasso, querendo soar como Picasso, querendo ultrapassar Picasso, olhando o fora, olhando Picasso e não ele mesmo. Quando começou a olhar pra dentro, criou uma linguagem diferente e corajosa, pintando seus quadros de maneira inusitada. Ele olhou pra dentro, parou de falar do fora. É isso que eu acho que temos que fazer. Olhar pra dentro, parar de falar do cinema Argentino, do cinema americano, do cinema francês, do cinema de Marte como bebes chorões e fazer o nosso cinema que é muito bom! Cada um tem o seu cinema e precisamos fazer é o nosso! Adoro o argentino, o americano, o iraniano, o francês... Porque são cinemas que mostram suas caras, que colhem o que plantam em seus jardins, que não vivem nessa insensatez repetitiva, numa espécie de fofoca estética, onde ficamos na janela olhando a casa dos outros ao invés de cuidar da nossa própria casa. Eu to aqui na casa do cinema brasileiro e na nossa casa tem um jardim coberto de flores lindas: Glauber Rocha, Fernando Meireles, Walter Salles, Cacá Diegues, Bruno Barreto, Ruy Guerra, Karin, Claudio Assis, Beto Brant, Heitor Dallia... Um monte de gente bacana, fazendo filmes bacanas! Eu to aqui na casa do cinema brasileiro, to aqui no jardim, to com a minha pasinha, to com terra nas mãos, no sapatinho, na humildade, colocando minha semente. Eu to aqui na casa do cinema brasileiro e daqui não saio, daqui ninguém me tira!


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Rodrigo Bittencourt
Rodrigo Bittencourt é carioca nascido em Bangu. Lançou 3 discos como músico, canção pra ninar adulto 2003, mordida 2008, quero ser coll 2011. E se prepara pra gravar o quarto, casa vazia. Lançou dois livros, esmalte vermelho (romance) 2008, ópera Brasil de embolada (infanto juvenil) 2010. Foi gravado por Fagner, Maria Fita e Thais Gullin. Como diretor tem 4 curtas de ficção, um programa de TV no canal Brasil, vai gravar em fev um programa de TV no canal Multishow e lançar seu primeiro longa metragem TOTALMENTE INOCENTES, com produção de Iafa Britz, Mariza Leão e Globo Filmes, distribuído por Paris Filmes e Rio Filmes, no segundo semestre de 2012.

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