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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
19-10-11
COLUNISTA CONVIDADO - Marcio Blanco


Visões Periféricas – todo mundo tem a sua

O Festival Visões Periféricas comemora cinco anos de existência em 2011. Não se trata simplesmente de um evento dedicado à exibição de filmes. O festival nasceu sob o signo das muitas mudanças que o Brasil e o mundo viveram nos últimos 15 anos, transformações econômicas, sociais, estéticas... Encontra-se localizado em uma época, um tempo. O audiovisual que vem das periferias brasileiras surge à margem dos circuitos formais da economia, da arte, da comunicação e cria suas próprias lógicas de circulação cultural. Um dado Brasil que até então ouvia falar de si como uma abstração, um conceito, ora proclamado pelos intelectuais da academia, ora comunicado pela grande mídia, vai aprendendo a usar a tecnologia para falar de si e para quem quiser ouvir. É um audiovisual muito falado. Isso é perceptível nos filmes que chegam ao Visões Periféricas.

E como poderia ser diferente? A tecnologia que permite a produção e difusão audiovisual a custos cada vez mais acessíveis encontra um Brasil que tem forte tradição oral. Esse Brasil está circulando a velocidade dos bytes pelas redes sociais da internet, imprimindo seu próprio jeito ou jeitos de comunicar. Falamos em “jeitos” porque não se pode colocar essa periferia dentro de um mesmo saco, sem reconhecer as diferenças entre as regiões, entre suas expressões culturais. Essa não é uma periferia que pode ser confortavelmente reduzida a conceitos econômicos ou sociais uniformizantes. Ultimamente têm se falado muito da nova classe média brasileira, da ascensão econômica de milhões de brasileiros, o aumento do poder de consumo nas classes C e D, mas não se fala desses milhões de brasileiros enquanto portadores e criadores de estéticas próprias. Essa palavra do grego αισθητική ou aisthésis entre outros significados possui o sentido de percepção, sensação. Estética como resultado de uma percepção singular do mundo, como um sentimento particular da vida. Podemos dizer que essa compreensão da estética é que orienta a curadoria de filmes do Visões Periféricas.

Hoje o festival possui exibição em sala de cinema e na internet. Não importa se o filme é feito com um celular ou uma câmera digital profissional de última geração. Se ele tem um trabalho de quadro mais contemplativo ou se é feito com uma profusão de depoimentos falados. Importa que nele se perceba um potência de vida, de criação e que ofereça uma visão que possa construir junto aos demais filmes da curadoria novos conceitos sobre a periferia. Aqui cabe ressaltar um outro aspecto do festival que faz dele um grande laboratório não só estético como social.

Nesta edição recebemos cerca de 600 inscrições e podemos constatar com satisfação que elas vêm de todos os Estados brasileiros e de realizadores com trajetórias de vida as mais diferentes possíveis, inclusive de quem não se encaixaria em uma noção tradicional de periferia, criada a partir de um espaço geográfico ou de uma classe econômica. Esses filmes e seus realizadores também têm presença garantida no festival. A ideia é que a partir do encontro entre realizadores com histórias e origens diferentes se forme uma rede de contatos que ajude a romper os preconceitos sobre a periferia e permita uma circulação permanente de sentido sobre ela.

Não estranhe se você for ao festival e acompanhar em uma mesma sessão o debate de realizadores vindos de uma comunidade indígena, da favela e de um bairro de classe média alta do Rio de Janeiro. É justamente esse estranhamento que buscamos ano após ano, o que nem sempre torna fácil a compreensão do que é o Visões Periféricas. Mas acreditamos que esse é um estranhamento a que estamos cada vez mais sujeitos e, diríamos mais, um estranhamento necessário para que nos percebamos cada vez mais como sujeitos pertencentes a uma comunidade global, cidadãos do mundo.


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Marcio Blanco
Formado em cinema pela Universidade Federal Fluminense. É coordenador geral do Festival Audiovisual Visões Periféricas, em sua quinta edição e diretor da Associação Imaginário Digital. Possui experiência na área de direção e produção em cinema, vídeo e televisão; ensino de audiovisual, educação popular e criação de redes de comunicação multimídia na web; formulação e execução de políticas públicas na área de audiovisual, cultura e saúde do trabalhador para o Ministério da Cultura e Ministério da Saúde.

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