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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
15-10-11
COLUNISTA CONVIDADO - César Rodrigues


“Uma Professora Muito Maluquinha”

Acaba de estrear o Filme “Uma Professora Muito Maluquinha”. A Direção é minha e de André Alves Pinto. Encontro de dois amigos antes de mais nada e mineiros antes de tudo. Em primeiro lugar, nós não dividimos a Direção, somamos, e fizemos isso com um agudo esforço para traduzir em poesia o pensamento humano e artístico do mestre Ziraldo.

Em nossas exibições promocionais e nas pré-estréias, público e crítica têm destacado a produção preciosa. A cidade de São João Del Rei ambienta o filme na década de 40. O figurino delicado e clássico chama atenção pela riqueza de detalhes de época. Mas o que mais tem repercutido é a natural interpretação dos atores. Como o talento iluminado de Paola Oliveira, atriz encantadora, que já transformou a Professora Maluquinha “Cate” num personagem eterno na galeria do cinema nacional. Digo isso sem o menor receio de estar sendo presunçoso. A genialidade reconhecida de Chico Anísio emociona com uma interpretação inesquecível, delicada, generosa e. para alguns, surpreendente do “Monsenhor Aristides”, e reafirma o grande ator dramático por trás do comediante consagrado. Participações especialíssimas de Suely Franco, Max Fercondine, Ricardo Pereira, Cadu Fávero, e as revelações Joaquim Lopes, Elisa Pinheiro, Rodrigo Pandofo e Liz Araújo garantem ainda mais equilíbrio ao elenco. Porém, sendo um filme infantil, o desafio maior era formar um elenco de crianças no mesmo nível e talento dos adultos. E eles não deixaram dúvidas sobre o quanto nossas escolhas foram corretas. Caio Manhete, Ana Beatriz Caruncho, Dario Del Carro, Jennifer De Oliveira e Kadu Baptista brilham durante todo o filme com uma espontaneidade cativante.

A pergunta mais frequente depois das sessões para o público em geral e a imprensa foram sobre como foi dirigir as crianças, como atingimos este nível de qualidade no desempenho dos atores etc.
Pois bem, são muitas as respostas e possíveis argumentos que justificam o alcance destas perguntas. Em primeiro lugar, o entendimento coletivo da história que estávamos contando. Parece óbvio, mas não é. A possibilidade de ter o próprio Ziraldo traduzindo o desenho das personagens, ajudando a entender o que movia os seus sentimentos, medos e aventuras, foi valioso para a interpretação mais clara das cenas. A sensibilidade do Produtor Diler Trindade possibilitando a convivência em São João Del Rei de todo o elenco, mesmo os que faziam pequenas participações, durante toda a filmagem, foi fundamental. Vivenciar a cidade, o ambiente calmo, aquele retrato vivo de tantas, historias e acontecimentos, aproximou muito o elenco na construção dos personagens.

Sempre tivemos a convicção de uma comunicação clara, direta e segura na direção dos atores. No caminho que cada personagem deveria seguir. Acho que o ator necessita dessa segurança. Nunca pensei que por estar dirigindo uma criança deveria agir de uma maneira diferente da que usava para dirigir o Chico Anísio, a Paola ou a Suely Franco, por exemplo. Sempre acreditei numa comunicação pautada no entendimento da cena que estava sendo realizada.

Qual o objetivo central para a cena existir? Que peso dramático os personagens deveriam desempenhar na estrutura formal da cena? De onde os personagens estão vindo, para onde eles deverão seguir após este momento? Esta convicção é o que fundamenta a minha comunicação com o ator, independente de ser uma criança ou um ator experiente. Uma coisa é clara: com a criança a comunicação é mais sensorial que verbal. Quando se estabelece o código de confiança entre o diretor e o ator criança, na maioria das vezes apenas gestos, olhares ou mesmo um sorriso de cumplicidade basta para alcançar grandes momentos em cena. Como a criança é mais dispersa e a espera num set torna o ambiente muitas vezes confuso, temos a necessidade de resgatar o foco. Para ajudar nestes momentos que precedem a filmagem, o preparador de elenco infantil entra como personagem fundamental. É ele que faz o que chamo de “esquenta”. Cristina Bithencourt foi nossa fiel escudeira nesta função. Além de estudar as cenas do dia, ela elaborava jogos e exercícios cênicos que buscavam as sensações sugeridas pelas cenas. De forma alguma as crianças deveriam chegar no set com um formato de interpretação definido pelo preparador. A proposta do “esquenta”, é criar confiança no entendimento da cena que estava para ser feita. Nunca a forma ou o tom da cena deveria ser discutido com o ator. Sem dúvida a Cristina fazia isto com perfeição. Não havia tensão quando as crianças entravam no jogo de cena. Elas já chegavam alertas, acesas. Prontas para tomar o rumo que a cena indicasse naquele momento. Isso fica claro no filme e espelha algumas das virtudes e a qualidade narrativa de “Uma Professora Muito Maluquinha”.

Por César Rodrigues


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César Rodrigues
César Rodrigues, é mineiro de Muriaé. Reside no Rio de Janeiro desde 1979. Cursou Comunicação Social na Universidade Gama Filho, logo depois ingressou na CAL, Casa das Artes de Laranjeiras onde se formou Ator em 1986. Neste mesmo ano em parceira com o ator e Diretor Roberto Bomtempo criou a Companhia Movimento Carioca de Teatro Juvenil ministrando aulas e montando os espetáculos, ”Romeu e Julieta”, “Capitães da Areia”,”Geração Espontânea”, “Quem matou o Leão”, “Maria Minhoca" ,entre outros. Fez assistência de Direção do seriado “Confissões de Adolescente” com Direção de Daniel Filho, parceira que durou alguns anos em projetos como “ A vida como ela é “, como Diretor assistente no seriado “A justiceira” e dirigindo o seriado “Mulher”, além dos filmes “A Partilha” e a “Dona da Historia”. Foi assistente de direção de Fernando Meireles no longa “Menino Maluquinho, O Filme”, trabalhou com Diretores como Andrucha Waddington, Denis Carvalho, José Alvarenga Jr, Jorge Fernando e Cao Hamburger. Dirigiu projetos na TV, voltados para o publico infantil e infanto juvenil como a Série “Um menino muito maluquinho”, “Teca na TV” e no cinema os filmes, “High School Musical Brasil” e "Uma Professora Muito Maluquinha". Atualmente é Diretor de Telenovelas na Rede Record.

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