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Natália Lage entrevista o documentarista, roteirista, diretor e montador Pedro Asbeg.
26-09-11
COLUNISTA CONVIDADO - Fernanda Ramone


DocBrazil Festival, a arte de fazer arte na China

Depois de 7 anos morando na China, decidi que já era hora de realçar o real teor de beleza do Brasil em imagens. Em visões documentadas de modo a propiciar uma relação de maior proximidade do público, em especial o público chinês, para com este “gigante pela própria natureza”.
No exercício de mostrar sem agredir, no sentido de respeitar as sutilezas morais e éticas próprias do universo chinês. E por outro lado, com o compromisso de mostrar o Brasil e suas nuances.

E tendo como proposta a de promover os bens culturais brasileiros respeitando nossa principal característica, nosssa diversidade cultural. Surgiu a ideia de organizar o DocBrazil Festival, o primeiro festival de documentários brasileiros realizado na China.
Para preencher lacunas, criar novas platéias, superar estereótipos e para aproximar e fomentar os intercâmbios culturais.

O conceito do DocBrazil Festival, é o de atuar como uma plataforma criativa que supera a experiência cinematográfica. E através das parcerias e atividades paralelas possa envolver e chegar em cada edição a um número maior de pessoas. Neste encontro que possibilita a reinvenção da percepção do Brasil e dos Brasileiros no mundo.
Neste aspecto receber este ano o apoio institucional do MinC (Ministério da Cultura do Brasil) foi de fato uma grande conquista. Outra surpresa boa desta II edição, foi o convite da Sohu.com (um dos maiores portais chineses) junto com o apoio insttucional para realizar o DocBrazil Festival dentro de um Festival enorme dedicado ao público jovem chinês (http://cul.sohu.com/festivalyoung/).

Na I edição do DocBrazil Festival, o critério foi o brincar de desconstruir as referências caricatas através da própria figura estereotipada (como no documentário de Patrício Salgado, “Sou negro não sei sambar”, que aparece para esclarecer que nem todo brasileiro nasce sambando). E literalmente ultrapassando as fronteiras e “Margens” (documentário de Maya Da-Rin) e mostrando os tantos “Brasis” possíveis.

Os títulos selecionados para a II edição do Festival seguem a mesma linha da “brincadeira” dos estereótipos apresentando também temas ligados ao papel do Brasil no século XXI. E interferência exercida individualmente no meio através dos processos criativos de arte, comunicação e tecnologia.

Cada um dos documentários selecionados (veja a lista completa no site www.docbrazilfestival.com) desempenha um papel importante dentro do Festival. Todos eles proporcionam uma reflexão das semelhanças e disparidades, não apenas no patamar das comparações entre as simetrias e assimetrias entre Brasil e China (ambos vastos geograficamente e com a característica da pluralidade cultural e etnica tão díspares dentro de seus territórios), mas em especial da condição humana.

São estas as relações que me interessam, as relações com as pessoas, e por conta delas surgiu o DocBrazil.
Que além da exibição dos documentários conta com uma exibição de pôsters. Resultado da parceria com Raffles-BIFT International College, criados por uma equipe de designers chineses e estrangeiros baseados na capital chinesa. O propósito? Descobrir através da percepção da equipe qual é a imagem que Brasil contemporâneo transmite.

Abro um parêntesis aqui, para dizer que sem dúvida esta paceria com a Raffles é uma das fases mais bacanas de todo o processo de organização do DocBrazil.
As sessões prévias de todos os documentários para a equipe, seguido de debates e a percepção através da impressão de cada um, sobre aspectos e referências tão familiares para mim acerca do Brasil sob uma perspectiva completamente nova ou inusitada. É um dos momentos mais prazeirosos deste longo processo que envolve a organização do festival.

Para os interesados e curiosos em ver o resultado deste trabalho, a boa notícia, é que todos os Pôsters já estão disponíveis no site do DocBrazil.
Assim como o histórico desta iniciativa pioneira que chega este ano a II edição, tendo percorrido 6 cidades chinesas (Pequim, Xangai, Tianjin, Cantão, Macau, Shenzhen).

Lembrando que o DocBrazil Festival é resultado de uma inquietação pessoal. Desempenha um papel importante no que tange a promoção cultural do Brasil na China, mas poderia ter uma importância ainda maior, mais representativa e significante no território chinês se contasse por exemplo com o apoio da mídia brasileira.


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Fernanda Ramone
Internacionalista, sinóloga. Há 7 anos reside na capital chinesa. Por 4 foi correspondente da BandNews Tv. Atualmente é produtora cultural (DocBrazil Festival) e mestranda em Cultural Industry Management na Pekin University.

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