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Programa 64/774 – 27-08-11 (Reprise)
Ed Motta fala sobre sua relação musical com o cinema e a paixão pelas trilhas sonoras.
David Tygel apresenta sua visão sobre o processo criativo de um filme e como trabalha a trilha sonora dentro desta criação coletiva.
Destaques do programa Revista do Cinema Brasileiro nº 64/774 (11/02/2012 | REPRISE)

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Mais uma vez Gramado
11/08/2010 - 14:35

O Festival de Cinema de Gramado inaugurou a minha longa jornada pelo mundo festivo e cinematográfico das mostras e festivais. Isso em 1998, eu havia acabado de voltar de uma viagem à Grécia com uma amiga, passei pela produtora em que trabalhava em Belo Horizonte e embarquei para Gramado, no mesmo dia... Naquele ano o homenageado foi Nelson Pereira dos Santos...

Tudo me pareceu novo, o festival vivia um momento híbrido, ainda não era uma festa de holofotes e glamour, era também isso, mas essa não era a essência, o que pautava aquele momento era a possibilidade dos filmes brasileiros voltarem ao foco, depois de uma abstinência causada pela desastrosa era Collor, o que rendeu uma janela importante para o Cinema Latino na Mostra Competitiva.

Achei tudo novo e intrigante, como uma cidade tão pequenininha um destino turístico da Serra Gaucha havia se transformado em templo do cinema brasileiro nas ultimas décadas? Os vídeos dos antigos festivais, todos registrados em película, me deram a resposta, vi ali outro Festival, habitado por cinéfilos, diretores, atores, em uma festa típica dos anos setenta. Com flores, alguma psicodelia no figurino e um sorrido de liberdade no ar.

Muitos anos se passaram, o cinema brasileiro recuperou vigor e constância de produção, o que garantiu o retorno ao lugar de destaque em Gramado. Novos Festivais vieram para ficar e chegaram a roubar um pouco da aura de estrela que o festival gaúcho tivera outrora, tudo mudou, os diretores, o cinema, os suportes de realização, e a geografia do mapa do circuito de eventos audiovisuais no Brasil, e Gramado se reinventou.

Há mais ou menos quatro anos, a fórmula de um glamour construído para os turistas foi sabiamente abandonada e o Festival retornou ao seu ponto de origem: a cinefilia e o cinema independente, pelo menos conceitualmente. A nova gestão pensada por Sergio Sanz e Jose Carlos Avelar quer recuperar o âmago desta festa: o cinema brasileiro, nada mais justo!

Não é fácil se reinventar, isso significa recomeçar e abrir mão da zona de conforto para se dedicar ao desafio, e é isso que o Festival parece buscar... Os filmes latinos têm cumprido com maestria esse papel e os brasileiros têm buscado isso obstinadamente...

É muito bom poder perceber que há um ciclo de fidelidade autoral nesta história que acompanhei, é bom perceber que o cinema venceu - ao contrario do que se percebe nos eventos internacionais que outrora também foram templos do cinema de autor, hoje a indústria chegou, ficou e dominou – é bom perceber que Gramado apostou no sonho, no cinema que faz pensar, mesmo que não acerte sempre, que haja filmes que não digam a que vieram, é bom saber que por trás da festa, o que importa é o cinema...

Beijos,
Roberta Canuto






01/02/2012 - 16:48

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19/01/2012 - 19:42

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